Deus entrega o próprio Filho à morte para nos dar a vida
EF 2,4-5
«Mas Deus, que é rico em misericórdia, pela sua extremada caridade com que nos amou, mesmo quando estávamos mortos pelos pecados, deu-nos vida juntamente em Cristo.»
Ponto I
Considera que a verdadeira morte da alma é o pecado, visto que esse cruel inimigo de Deus nos despoja da graça divina, que constitui a sua vida sobrenatural. Nós, miseráveis transgressores, estávamos espiritualmente sepultados em nossas culpas e sentenciados às chamas eternas do abismo. Deus, todavia, pela desmedida afeição que consagra às nossas almas, determinou devolver-nos a vida; e que desígnio executou? Mandou ao mundo o seu Filho unigênito para sofrer o suplício da cruz, a fim de que, mediante a sua morte expiatória, recuperássemos a vida perdida. Com toda a razão o Apóstolo chama a este prodígio excesso de caridade: «Pela sua extremada caridade com que nos amou» (Ef 2,4); sim, porquanto a criatura jamais ousaria imaginar tão admirável aliança de misericórdia se a divina Sabedoria não a houvesse excogitado.

