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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Jesus Menino toma sobre si todos os pecados dos homens

SEGUNDA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO · SANTA LUZIA

Jesus Menino toma sobre si todos os pecados dos homens

IS 53,11

«Na sua ciência justificará o meu justo servo a muitos, e ele mesmo levará as iniquidades deles.»

SUMÁRIO

O Verbo Divino, ao tomar carne humana, não assumiu apenas a condição humilde da nossa natureza, mas carregou sobre os seus ombros os pecados do mundo inteiro, oferecendo-se à justiça divina para expiá-los desde a manjedoura como se fossem culpas próprias.

Ponto I

Considerai que o Verbo divino, fazendo-se homem, quis assumir não somente a aparência de pecador, mas também o peso de todos os pecados humanos e satisfazer por eles como se fossem seus: «e ele tomará sobre si as suas iniquidades». O Padre Cornélio acrescenta: Como se ele próprio os tivesse cometido.

Pensemos na opressão e na angústia do Coração de Jesus Menino, já carregado com todos os pecados do mundo, ao ver que a justiça de Deus requeria dele satisfação completa. Conhecia bem a malícia de cada pecado, pois, pela luz da divindade que o acompanhava, conhecia incomensuravelmente mais que todos os homens e anjos a bondade infinita de seu Pai e o direito infinito que este tem ao respeito e ao amor. Via, então, diante de si, uma multidão incontável de pecados que os homens cometeriam e pelos quais haveria de sofrer e morrer.

Certa vez o Senhor mostrou a Santa Catarina de Gênova a deformidade de uma única culpa venial. A visão causou tamanho espanto e dor à santa que ela caiu desfalecida ao chão. Qual terá sido, pois, a pena de Jesus Menino, ao ver, desde a sua entrada no mundo, o exército imenso de todos os crimes dos homens, pelos quais deveria satisfazer? Naquele momento conheceu em particular cada pecado de cada um de nós: Teve diante dos olhos cada culpa individual, diz São Bernardino de Sena.

O cardeal Hugo diz: Os algozes fizeram-no sofrer exteriormente, crucificando-o; nós, porém, interiormente, pecando. Quer dizer que cada um de nossos pecados afligiu mais a alma de Jesus Cristo do que a crucificação e a morte afligiram o seu corpo. Eis a bela recompensa que deu ao amor deste Salvador divino quem se recorda de tê-lo ofendido por pecado mortal.

AFETOS E ORAÇÕES

Meu amado Jesus, também eu vos ofendi e não mereço graças. Mas, pelo merecimento daquela pena que sofrestes e oferecestes a Deus ao ver todos os meus pecados e satisfazer por eles à justiça divina, dai-me parte da luz pela qual então conhecestes a sua malícia e da aversão com que os detestastes. Será verdade, meu amável Salvador, que desde a vossa infância e em cada momento da vossa vida fui algoz do vosso Coração, mais cruel que todos os que vos crucificaram? E que renovei e aumentei essa pena sempre que voltei a ofender-vos?

Senhor, já morrestes para salvar-me; mas a vossa morte não basta para a minha salvação se, de minha parte, não detestar acima de todo mal e não sentir verdadeiro pesar pelas ofensas que vos fiz. Também esse pesar deve vir de vós. Vós o concedeis a quem pede. Pelos merecimentos de todas as penas que sofrestes na terra, peço-vos dor pelos meus pecados, uma dor que corresponda à minha malícia. Ajudai-me, Senhor, a fazer o ato de contrição que agora desejo fazer.

Deus eterno, Bem supremo e infinito, eu, miserável verme, ousei faltar-vos ao respeito e desprezar a vossa graça. Acima de todo mal detesto e aborreço as injúrias que vos fiz; arrependo-me de todo o coração, sobretudo por ter ofendido a vós, bondade infinita. Pelos merecimentos de Jesus Cristo espero o vosso perdão e, com ele, a graça de vos amar. Ó Deus merecedor de infinita caridade, eu vos amo, e sempre quero repetir este ato: eu vos amo; meu Deus, eu vos amo; sim, eu vos amo.

Como vos dizia a vossa querida Santa Catarina de Gênova, aos pés de vós crucificado, quero também dizer agora aos vossos pés: Meu Senhor, nunca mais pecados, nunca mais pecados. Meu Jesus, mereceis somente amor. Meu Redentor, ajudai-me. Maria, minha Mãe, socorrei-me: nada mais vos peço que viver amando a Deus durante o tempo que me resta.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Meditazioni per li giorni dell'Avvento sino alla novena della nascita di Gesù Cristo (1758), Meditazione XI («Iniquitates nostras ipse portavit») e «Affetti e preghiere» (_P2JQ.HTM), pp. 162-164 da paginação do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.