Maria Santíssima, modelo de paciência
CT 2,2
«Qual é o lírio entre os espinhos, tal é a minha amiga entre as filhas.»
SUMÁRIO
A Santíssima Virgem Maria foi proposta por Deus à Igreja como modelo perfeitíssimo de paciência. Toda a sua vida terrestre transcorreu sob a sombra das tribulações e da cruz, aceitas com inalterável resignação à vontade do Altíssimo.
Ponto I
Esta terra é lugar de merecimento; com razão se chama vale de lágrimas, porque aqui todos estamos destinados a sofrer e, mediante a paciência, a ganhar as nossas almas para a vida eterna, conforme disse o Senhor: «Na vossa paciência possuireis as vossas almas». O Senhor nos ofereceu a Virgem Maria como exemplo de todas as virtudes, especialmente da paciência. Entre outras coisas, observa São Francisco de Sales que, nas bodas de Caná, Jesus deu à santa Virgem aquela resposta que parecia estimar pouco as suas súplicas — «Mulher, que nos importa a mim e a ti isso?» — justamente para nos oferecer o exemplo da paciência de sua santa Mãe.
Mas para que buscar exemplos particulares? A existência inteira de Maria consistiu na prática incessante da paciência. Como revelou o anjo a Santa Brígida, a Virgem bem-aventurada viveu sempre entre penas: assim como a rosa costuma crescer entre espinhos, também esta venerável Virgem cresceu no mundo entre tribulações. Somente a compaixão pelos padecimentos do Redentor bastou para torná-la mártir da paciência. Por isso disse São Boaventura: crucificada, concebeu o Crucificado. No Calvário, como já dissemos ao tratar das suas dores, tornou-se nossa Mãe e nos gerou como filhos, sofrendo imensamente, conforme Santo Alberto Magno: A Mãe que nos fez renascer gerou-nos ao compadecer-se de seu Filho.
Se desejamos, portanto, ser filhos de Maria, procuremos imitá-la na paciência. Que poderá enriquecer-nos mais de merecimentos nesta vida e de glória na outra, pergunta São Cipriano, do que suportar pacientemente os sofrimentos? Deus disse por Oseias: «Eu cercarei de espinhos o teu caminho». São Gregório acrescenta: Os caminhos dos eleitos são cercados de espinhos. Assim como a cerca espinhosa protege a vinha, Deus rodeia de tribulações os seus servos, para que não se apeguem à terra. São Cipriano conclui que a paciência nos livra do pecado e do inferno: A paciência nos conserva.
É ela que forma os santos: «E a paciência aperfeiçoa a obra». Suportemos em paz tanto as cruzes que vêm diretamente de Deus, como a doença e a pobreza, quanto aquelas que nos chegam pelos homens, como perseguições e injúrias. São João contemplou a multidão dos santos segurando palmas, sinal de martírio; indicando que a salvação dos adultos exige o martírio, pelo sangue ou pela paciência. Alegremo-nos, pois, com São Gregório: Podemos ser mártires sem espada, se guardarmos a paciência; se suportarmos as penas desta vida, como diz São Bernardo, com paciência, de boa vontade e com alegria.
Quanto fruto nos trará no céu cada pena sofrida por Deus! Por isso o Apóstolo nos anima: «Porque a nossa tribulação, que ao presente é momentânea e leve, produz em nós de um modo maravilhoso um peso eterno de glória». Belos eram os conselhos de Santa Teresa a esse respeito: Quem abraça a cruz não a sente. E, em outro lugar: Quando alguém se resolve a sofrer, a pena termina. Ao sentirmos o peso das cruzes, recorramos a Maria, a quem a Igreja chama Consoladora dos aflitos e São João Damasceno remédio para todas as dores dos corações.
AFETOS E ORAÇÕES
Ah, minha dulcíssima Senhora, vós, inocente, sofrestes com tanta paciência; e eu, merecendo o inferno, recusarei sofrer? Minha Mãe, peço-vos hoje esta graça: que eu suporte as cruzes pacientemente. Pelo amor de Jesus, rogo-vos que me alcanceis de Deus esta graça sem falta. De vós a espero.

