Jesus ilumina o mundo e glorifica a Deus
JR 31,22
«O Senhor criou um novo prodígio sobre a terra.»
SUMÁRIO
Antes de Cristo, o mundo jazia nas trevas da idolatria e do pecado. Jesus veio libertá-lo com a luz da verdade e deu a Deus, desde o primeiro instante, mais glória que todos os anjos e santos; oferecemos ao Pai esse Menino para reparar as nossas ofensas.
Ponto I
Antes da vinda do Messias, o mundo esteve sepultado numa noite tenebrosa de ignorância e de pecados. No mundo mal era conhecido o verdadeiro Deus, num só canto da terra, isto é, apenas na Judeia: «Conhecido é Deus na Judeia» (Sl 75,2). Mas em todo o resto adoravam-se por deuses os demônios, os animais e as pedras. Por toda parte era a noite do pecado, que ofusca as almas, enche-as de vícios e lhes esconde a miséria em que vivem, inimigas de Deus e condenadas ao inferno. «Pusestes as trevas, e fez-se noite; nela andarão todas as feras da selva» (Sl 103,20). Destas trevas veio Jesus libertar o mundo: «Aos que habitavam na região da sombra da morte, nasceu-lhes a luz» (Is 9,2). Libertou-o da idolatria dando a luz do verdadeiro Deus; e libertou-o do pecado com a luz da sua doutrina e dos seus divinos exemplos: «Para destruir as obras do diabo é que o Filho de Deus veio ao mundo» (1 Jo 3,8).
Predisse o profeta Jeremias que Deus havia de criar o Redentor dos homens: «O Senhor criou um novo prodígio sobre a terra» (Jr 31,22). Este menino novo foi Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus que enamora o paraíso e é o amor do Pai, o qual assim fala dele: «Este é o meu Filho muito amado, em quem tenho posto toda a minha complacência» (Mt 17,5). E este Filho é o que se fez homem. Menino novo, porque deu mais glória e honra a Deus no primeiro momento em que foi criado do que lhe deram, ou lhe darão, todos os anjos e santos reunidos durante toda a eternidade. Por isso, no nascimento de Jesus cantaram os anjos: Glória a Deus no mais alto dos céus. Mais glória rendeu a Deus o Menino Jesus do que lhe tiraram todos os pecados dos homens. Coragem, pois, pobres pecadores que somos! Ofereçamos ao Eterno Pai este Menino; mostremos-lhe as lágrimas de Jesus Cristo, a sua obediência, a sua humildade, a sua morte e todos os seus méritos, e repararemos junto de Deus toda a desonra que lhe fizemos com as nossas ofensas.
AFETOS E ORAÇÕES
Ah, meu Deus eterno, tantas vezes eu vos desonrei, preferindo a minha vontade à vossa, e as minhas vis e miseráveis satisfações à vossa santa graça. Que esperança haveria de perdão para mim, se não me tivésseis dado Jesus Cristo precisamente para este fim, para ser a esperança de nós, pecadores? «Ele é a propiciação pelos nossos pecados» (1 Jo 2,2). Sim, porque Jesus Cristo, sacrificando-vos a vida em satisfação das injúrias que nós vos fizemos, deu-vos mais honra do que nós vos causamos de desonra com os nossos pecados. Recebei-me, pois, ó meu Pai, por amor de Jesus Cristo.
Arrependo-me, ó bondade infinita, de vos haver ultrajado: «Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho» (Lc 15,18.21). Não sou digno de perdão, mas é digno Jesus Cristo de ser por vós ouvido. Ele vos rogou um dia por mim na cruz: «Pai, perdoa-lhes» (Lc 23,34); e agora, também no céu, está dizendo-vos que me recebais por filho: «Temos por advogado... Jesus Cristo, que também intercede por nós» (1 Jo 2,1; Rm 8,34). Acolhei este filho ingrato, que antes vos abandonou e agora regressa, decidido a amar-vos.
Sim, meu Pai, amo-vos e quero amar-vos para sempre. Ah, meu Pai, agora que conheci o amor que me tivestes e a paciência que tivestes comigo por tantos anos, não me atrevo a viver mais sem vos amar. Concedei-me um amor ardente, que me faça chorar sem cessar as ofensas que vos fiz, a vós, Pai tão bom, e arder continuamente de amor por um Pai que tanto ama. Amo-vos, meu Pai, amo-vos, amo-vos!
Ó Maria, Deus é o meu Pai e vós sois a minha Mãe. Tudo podeis diante de Deus: socorrei-me e obtende-me a graça de perseverar santamente no seu amor.

