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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

O Verbo se faz homem na plenitude dos tempos

QUARTA-FEIRA, 1 DE DEZEMBRO · QUARTA-FEIRA — FÉRIA DO ADVENTO

O Verbo se faz homem na plenitude dos tempos

GL 4,4

«Mas quando veio o cumprimento do tempo, enviou Deus a seu Filho, feito de mulher, feito sujeito à lei.»

SUMÁRIO

Deus deixou passar quatro mil anos antes de enviar o seu Filho, para que o benefício fosse mais estimado e se conhecessem a malícia do pecado e a necessidade do remédio. Chegada a plenitude do tempo, Maria aceita ser Mãe do Verbo, e agradecemos ao Filho e à Mãe.

Ponto I

Repara que Deus esperou quatro mil anos, depois da queda de Adão, para mandar à terra o seu Filho como Redentor do mundo. E, entretanto, oh, que trevas de ruína reinavam sobre a terra! O verdadeiro Deus não era conhecido nem adorado, a não ser apenas num canto do mundo. Por toda parte reinava a idolatria, de modo que se adoravam por deuses os demônios, os animais e as pedras. Mas admiremos nisto a divina sabedoria: ela retarda a vinda do Redentor a fim de que os homens a recebam com mais gratidão; retarda-a para que se compreenda melhor quão grave é o pecado, quão necessário o remédio e quão grande a graça do Salvador. Se logo depois do pecado de Adão tivesse vindo Jesus Cristo, pouco se teria estimado a grandeza do benefício. Agradeçamos, pois, à bondade de Deus por nos ter feito nascer depois de já consumada a grande obra da Redenção.

Eis que já chegou o tempo ditoso que foi chamado a plenitude do tempo: «Mas quando veio o cumprimento do tempo, enviou Deus a seu Filho, feito de mulher, feito sujeito à lei, a fim de remir aqueles que estavam debaixo da lei» (Gl 4,4-5). Diz-se plenitude pela plenitude da graça que o Filho de Deus veio comunicar aos homens por meio da Redenção. Já parte o anjo, como embaixador, para a cidade de Nazaré, a fim de anunciar à Virgem Maria a vinda do Verbo, que deseja encarnar em seu seio. O anjo cumprimenta-a, declara-a cheia de graça e bendita entre as mulheres. Ela, a eleita para Mãe do Filho de Deus, humilde donzela, fica perturbada com tais louvores, tão profunda é a sua humildade; mas o anjo a tranquiliza, dizendo-lhe que encontrou graça junto de Deus: a graça que trazia consigo a reconciliação entre Deus e os homens e o reparo da ruína causada pelo pecado. Depois lhe revela o nome de Salvador que deve pôr a este seu Filho: «Pôr-lhe-ás o nome de Jesus» (Lc 1,31); e que este seu Filho era o próprio Filho de Deus, que havia de resgatar o mundo e assim reinar sobre os corações dos homens. Eis, por fim, que Maria aceita ser Mãe de tal Filho: «Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38). E o Verbo eterno toma já carne e faz-se homem: «E o Verbo se fez carne» (Jo 1,14).

Agradeçamos a este Filho, e agradeçamos também a esta Mãe que, aceitando ser Mãe de tal Filho, aceitou ser mãe da nossa salvação e, juntamente, mãe de dores, aceitando então todo o abismo de dores que lhe havia de custar ser Mãe de um Filho que vinha padecer e morrer pelos homens.

AFETOS E ORAÇÕES

Ó Verbo divino feito homem por mim, embora eu vos veja assim humilhado e feito menino pequenino no seio de Maria, eu vos confesso e reconheço como meu Senhor e meu Rei, Rei de amor. Caro Salvador meu, pois viestes à terra vestir a nossa pobre carne para reinardes sobre os nossos corações, vinde, ah, firmar o vosso reino também no meu coração, que durante algum tempo foi dominado pelos vossos inimigos, mas agora, assim espero, é vosso; quero que o seja para sempre, e que desde hoje o possuais como seu único senhor. «Reina no meio dos teus inimigos» (Sl 109,2). Os demais reis dominam com o poder das armas; vós, porém, vindes reinar pelo poder do amor; por isso não vindes com pompas régias, nem vestido de púrpura e de ouro, nem ornado de cetro e de coroa, nem cercado de exércitos de soldados. Vindes nascer numa estrebaria, pobre, abandonado, e ser posto numa manjedoura sobre um pouco de feno, porque assim quereis começar a reinar nos nossos corações.

Ah, meu rei menino, como pude eu revoltar-me tantas vezes contra vós, vivendo por longo tempo como vosso inimigo, sem a vossa graça, quando vós, para me obrigar a amar-vos, depusestes a vossa majestade divina e vos humilhastes até aparecer ora como menino numa gruta, ora como jovem numa oficina, ora como réu sobre uma cruz? Oh, feliz de mim, se agora que saí, como espero, da escravidão de Lúcifer, me deixar sempre dominar por vós e pelo vosso amor!

Ó meu rei Jesus, tão amável e tão amante das nossas almas, vamos, tomai posse de toda a minha alma; a vós a dou toda. Aceitai-a para vos servir para sempre, mas para vos servir por amor. A vossa majestade é digna de temor; a vossa bondade, porém, é digna de mais amor ainda. Meu rei, vós sois o meu único amor, e assim será por toda a vida; o receio único que me restará será o de vos desagradar. Assim espero. Ajudai-me com a vossa graça.

Cara senhora minha Maria, vós me haveis de alcançar a fidelidade a este amado rei da minha alma.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Meditazioni per li giorni dell'Avvento sino alla novena della nascita di Gesù Cristo (1758), Meditazione IV («Ubi venit plenitudo temporis...») e «Affetti e preghiere» (_P2JC.HTM), pp. 147-149 da paginação do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.