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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Maria Santíssima, modelo de caridade para com o próximo

SÁBADO, 10 DE ABRIL · NOSSA SENHORA NO SÁBADO

Maria Santíssima, modelo de caridade para com o próximo

1 JO 4,21

«E nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão.»

SUMÁRIO

Sendo Maria a criatura que mais ardentemente amou a Deus, foi também aquela que mais amou o próximo; toda a sua existência na terra foi um exercício contínuo de compaixão e socorro a todas as necessidades humanas.

Ponto IA excelsa caridade da Mãe de Deus para com os homens

O mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo acha-se estabelecido num único preceito: «Temos da parte de Deus este mandamento: quem ama ao Senhor ame do mesmo modo a seu irmão» (Epístola de São João, 1 Jo 4,21). A razão profunda dessa união, como pondera Santo Tomás, reside em que todo aquele que ama sinceramente a Deus ama forçosamente todas as coisas amadas por Deus. Ora, porquanto jamais existiu nem haverá jamais criatura alguma que tenha amado ao Senhor com intensidade comparável à da Virgem Santíssima, assim também não houve nem haverá quem tenha amado os homens com afeto tão terno e compassivo quanto ela.

Comentando a passagem dos Cantares: «O rei Salomão fez para si um andor... o meio cobriu de caridade pelas filhas de Jerusalém» (Ct 3,9-10), explica o venerável Cornélio a Lápide que esse andor místico foi o seio puríssimo de Maria, no qual habitando o Verbo divino encarnado, cumulou sua bendita Mãe de uma caridade inexaurível, a fim de que socorresse generosamente todo aquele que a ela recorresse em suas aflições.

Ponto IIA imitação das virtudes de Maria na prática da compaixão

Demonstrou a celestial Senhora a grandeza de sua caridade quando se apressou com prontidão em visitar Santa Isabel nas montanhas da Judeia, permanecendo três meses a prestar-lhe humildes serviços domésticos. Manifestou-a igualmente nas bodas de Caná, quando, movida de terna compaixão pela vergonha dos nobres esposos ante a escassez do vinho, antecipou os milagres do divino Redentor por sua poderosa intercessão.

Se nos comprazemos em aclamar Maria por nossa doce Rainha e Senhora, procuremos imitar a sua bondade inexaurível. Longe de julgar com dureza os passos alheios ou fechar os olhos às misérias de nossos irmãos, dediquemos nosso tempo e nossas preces em favor dos atribulados, consolando os aflitos e suplicando o perdão para os que erram.

AFETOS E ORAÇÕES

Ó Rainha soberana e minha advogada compassiva, quão pobre de caridade se acha a minha alma perante o esplendor de vossas virtudes! Olhai benignamente para a minha extrema penúria. Impetrai-me de Jesus um coração desapegado do rancor, generoso no perdão e pronto a socorrer os necessitados por amor de Deus. Fazei que eu ame a todos com espírito evangélico, a fim de me tornar digno filho de tão amável Mãe. — E vós, meu divino Jesus, concedei-me a vossa graça pelos merecimentos da excelsa caridade de Maria Santíssima.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Le Glorie di Maria (1750), Parte seconda («Delle virtù di Maria Santissima»), § 3 («Della carità di Maria verso il prossimo»), pp. 604-606. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.