Maria Santíssima, modelo de caridade para com o próximo
1 JO 4,21
«E nós temos de Deus este mandamento, que o que ama a Deus, ame também a seu irmão.»
SUMÁRIO
Sendo Maria a criatura que mais ardentemente amou a Deus, foi também aquela que mais amou o próximo; toda a sua existência na terra foi um exercício contínuo de compaixão e socorro a todas as necessidades humanas.
Ponto IA excelsa caridade da Mãe de Deus para com os homens
O mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo acha-se estabelecido num único preceito: «Temos da parte de Deus este mandamento: quem ama ao Senhor ame do mesmo modo a seu irmão» (Epístola de São João, 1 Jo 4,21). A razão profunda dessa união, como pondera Santo Tomás, reside em que todo aquele que ama sinceramente a Deus ama forçosamente todas as coisas amadas por Deus. Ora, porquanto jamais existiu nem haverá jamais criatura alguma que tenha amado ao Senhor com intensidade comparável à da Virgem Santíssima, assim também não houve nem haverá quem tenha amado os homens com afeto tão terno e compassivo quanto ela.
Comentando a passagem dos Cantares: «O rei Salomão fez para si um andor... o meio cobriu de caridade pelas filhas de Jerusalém» (Ct 3,9-10), explica o venerável Cornélio a Lápide que esse andor místico foi o seio puríssimo de Maria, no qual habitando o Verbo divino encarnado, cumulou sua bendita Mãe de uma caridade inexaurível, a fim de que socorresse generosamente todo aquele que a ela recorresse em suas aflições.
Ponto IIA imitação das virtudes de Maria na prática da compaixão
Demonstrou a celestial Senhora a grandeza de sua caridade quando se apressou com prontidão em visitar Santa Isabel nas montanhas da Judeia, permanecendo três meses a prestar-lhe humildes serviços domésticos. Manifestou-a igualmente nas bodas de Caná, quando, movida de terna compaixão pela vergonha dos nobres esposos ante a escassez do vinho, antecipou os milagres do divino Redentor por sua poderosa intercessão.
Se nos comprazemos em aclamar Maria por nossa doce Rainha e Senhora, procuremos imitar a sua bondade inexaurível. Longe de julgar com dureza os passos alheios ou fechar os olhos às misérias de nossos irmãos, dediquemos nosso tempo e nossas preces em favor dos atribulados, consolando os aflitos e suplicando o perdão para os que erram.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó Rainha soberana e minha advogada compassiva, quão pobre de caridade se acha a minha alma perante o esplendor de vossas virtudes! Olhai benignamente para a minha extrema penúria. Impetrai-me de Jesus um coração desapegado do rancor, generoso no perdão e pronto a socorrer os necessitados por amor de Deus. Fazei que eu ame a todos com espírito evangélico, a fim de me tornar digno filho de tão amável Mãe. — E vós, meu divino Jesus, concedei-me a vossa graça pelos merecimentos da excelsa caridade de Maria Santíssima.

