É mister sofrer tudo para agradar a Deus
1 COR 13,4.7
«A caridade é paciente... tudo sofre... tudo suporta.»
SUMÁRIO
A existência terrena é tempo de combate e merecimento, onde as tribulações distinguem os verdadeiros servos de Deus; quem abraça a cruz com resignação alcança a glória eterna, ao passo que a revolta nas aflições precipita a alma na perdição.
Ponto IEsta terra é lugar de merecimentos e aflições
Esta existência terrena constitui o campo oportuno para granjear méritos imperecíveis, e precisamente por tal razão é uma morada repleta de tribulações. A verdadeira pátria, onde o Senhor reservou o repouso imperturbável num júbilo celestial, acha-se nos céus. Pouco tempo havemos de peregrinar sobre este solo efêmero; não obstante, em tão breve intervalo numerosas são as contrariedades que se nos apresentam: «O homem, nascido de mulher, vivendo por curto tempo, é cheio de muitas misérias» (Jó 14,1).
Torna-se indispensável padecer, e ninguém se acha dispensado deste tributo: justos e pecadores são chamados a carregar a sua própria cruz. Aquele que a suporta com santa paciência alcança a vida perpétua; aquele, ao contrário, que a arrasta com impaciência e indignação caminha para a ruína. Ensinava Santo Agostinho que os mesmos sofrimentos conduzem uns ao paraíso e precipitam outros no abismo: tal como o malho de forja que acrisola os metais nobres mas reduz as cinzas à poeira. Pela prova das tribulações discerne-se o trigo da palha na Igreja de Deus: quem nas aflições se humilha e se submete ao divino beneplácito revela-se bom trigo destinado aos celeiros celestes; quem se enche de soberba e murmuração contra a Providência comporta-se qual palha inútil.
Ponto IIO valor da paciência cristã nas adversidades
Para se tornarem plenamente agradáveis a Jesus Cristo, os santos despojaram-se de honrarias, riquezas e comodidades temporais, acolhendo de boa mente calúnias, enfermidades dolorosas e perseguições acerbas. Sabiam eles que não há caminho mais seguro para demonstrar a lealdade do amor do que sofrer resignadamente por quem entregou a vida no patíbulo da cruz.
Quando a mão paternal do Senhor nos visitar com tribulações físicas ou espirituais, não cedamos ao desalento nem à amargura. Repitamos com reverência a prece dos justos: «Faça-se em mim a vossa santíssima vontade». Abraçada com fervor, cada gota de dor terrena há de converter-se em manancial de bênçãos eternas diante do trono da divina majestade.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó meu amado Salvador, reconheço que as cruzes que me enviastes eram salutares remédios para curar as feridas de minhas culpas. Perdoai as minhas passadas queixas e rebeldias. Uno doravante todos os meus padecimentos aos merecimentos augustos de vossa santa Paixão, pedindo-vos tão-somente a virtude da santa paciência e o aumento incessante de vosso amor. Em vós, Senhor, confiei; não serei desiludido eternamente. — E vós, ó Rainha das dores e minha querida Mãe Maria, amparai-me nas horas de provação e aproximai meu coração de vosso Filho bendito.

