Jesus no Santíssimo Sacramento, o melhor dos amigos
ECLO 6,16
«O amigo fiel é um medicamento de vida e de imortalidade.»
SUMÁRIO
Jesus Cristo reside dia e noite nos tabernáculos do mundo inteiro esperando com paciência as almas para lhes dispensar auxílios celestes; aproximemo-nos do divino Sacramento sem temor servil, tratando com ele com a sincera confiança de um amigo fiel.
Ponto IA presença amante de Jesus sobre os nossos altares
Quão comovente espetáculo era contemplar outrora o doce Redentor assentado junto ao poço de Jacó, fatigado da caminhada, esperando com admirável bondade a chegada da mulher samaritana a fim de iluminá-la e atraí-la à graça celestial: «Jesus, pois, cansado do caminho, estava assim assentado junto da fonte» (Jo 4,6). De modo em tudo semelhante procede hoje continuamente Nosso Senhor nos templos católicos: descendo do céu para habitar nos nossos tabernáculos como em fontes inesgotáveis de misericórdia, aguarda e convida as almas a lhe fazerem piedosa companhia, para comunicar-lhes os tesouros de sua caridade.
De todas as sacrárias parece ressoar a voz do Salvador amado: Criaturas humanas, por qual motivo evitais a minha proximidade? Por que vos recusais a comparecer perante mim, que tanto vos prezo e que para o vosso benefício permaneço oculto sob as humildes aparências eucarísticas? Não desci à terra na condição de juiz severo, mas ocultei-me neste Sacramento de pura benevolência unicamente para enriquecer de bens e salvar todo aquele que recorrer ao meu patrocínio: «Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo» (Jo 12,47).
Ponto IIO colóquio filial e confiante com o divino Amigo
Consideremos que, do mesmo modo que Jesus Cristo permanece no céu sempre vivo a interceder por nós à direita do Eterno Pai, assim também no Sacramento do altar desempenha sem interrupção o ofício salutar de mediador, oferecendo-se em holocausto contínuo para nos granjear perdão e socorros celestiais. Recomendava com razão o autor da Imitação de Cristo que nos dirijamos a Jesus sacramentado despidos de espanto receoso, conversando com ele tal como costuma falar o amigo ao amigo mais dileto: «Como soe falar o amado ao amado, o amigo ao amigo».
Quando nos achamos perante a hóstia consagrada, desabafe o nosso espírito com inteira franqueza suas necessidades, temores e afetos, na certeza de que nenhuma súplica sincera deixará de ser escutada com paternal agrado por este fielíssimo Amigo das nossas almas.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó meu benigníssimo Jesus sacramentado, com quanta generosidade vos rebaixastes por nosso amor! Perdoai a minha passada frieza e o pouco empenho que demonstrei em visitar-vos e adorar-vos em vossos santuários. Quero daqui por diante acudir frequentemente aos vossos pés, para agradecer-vos os vossos dons e reparar as ingratidões do mundo. Fazei que eu perca de bom grado tudo o que é terreno para conservar a vossa santa amizade, ó meu supremo Bem e meu tesouro eterno. — E vós, ó Maria, Mãe do Verbo encarnado, ensinai-me a amar o vosso Filho eucarístico com um afeto constante e fervoroso.

