Que ao ser pronunciado o nome de Jesus se dobrem todos os joelhos dos que estão no céu, na terra e nos infernos; pois o Senhor fez-se obediente até à morte, e morte na cruz. Eis porque o Senhor Jesus está na glória de Deus, seu Pai.
Ouvi, Senhor, a minha oração; e chegue até Vós o meu clamor.
Que ao ser pronunciado o nome de Jesus se dobrem todos os joelhos dos que estão no céu, na terra e nos infernos; pois o Senhor fez-se obediente até à morte, e morte na cruz. Eis porque o Senhor Jesus está na glória de Deus, seu Pai.
1ª LIÇÃO
Is 63, 1–7
Quem é este, que vem de Edom, de Bosra, -com as vestiduras tingidas? este formoso em seu trajo, que caminha na multidão da sua fortaleza? Eu, que falo a justiça, e que sou o combatente para salvar. Por que é logo vermelho o teu vestido, e as tuas roupas como as dos que pisam num lagar? Eu calquei o lagar sozinho, e das gentes não se acha homem algum comigo: Eu os pisei no meu furor, e os pisei aos pés na minha ira: E o seu sangue veio salpicar os meus vestidos, e eu manchei todas as minhas roupas. Porque o dia da vingança está no meu coração, é chegado o ano da minha redenção. Eu olhei em roda, e não havia auxiliador: Dusquei e não houve quem me ajudasse: Mas o meu braço me salvou, e a minha mesma indignação me auxiliou. E pisei aos pés os povos no meu furor, e os embriaguei na minha indignação, e derribei por terra o seu esfôrço. Eu me lembrarei das misericórdias do Senhor, cantarei o louvor do Senhor por todos os bens, que o mesmo Senhor nos deu, e pela multidão dos seus benefícios à casa de Israel, que ele lhes fez segundo a sua denl'ência e segundo a multidão das suas misericórdias.
GRADUAL
Sl 68, 18, 2–3
Não volteis a vossa face ao vosso servo, mas apressai-Vos em socorrer-me, pois estou atribulado.
Salvai-me, Senhor, porquanto as águas da desgraça inundaram a minha alma. Caí num profundo abysmo de lodo, onde não encontro apoio.
2ª LIÇÃO
Is 53, 1–12
Quem deu crédito ao que nos ouviu? e a quem foi revelado o braço do Senhor? E subirá como arbusto diante dele, e como raiz que sai duma terra sequiosa: Ele não tem beleza, nem formosura, e vimo-lo, e não tinha parecença do que era, e por isso nós o estranhamos: Feito um objeto de desprêzo, e o último dos homens, um varão de dores, e experimentado nos trabalhos: E o seu rosto se achava como encoberto, e parecia desprezível, por onde nenhum caso fizemos dele Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores: E nós o reputamos como um leproso, e ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi ferido pelas nossas iniqüidades, foi quebrantado pelos nossos crimes: O castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e riós fomos sarados pelas suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas, cada um se extraviou por seu caminho: E o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós. Foi oferecido, porque ele mesmo quis, e não abriu a sua bôca: Ele será levado como uma ovelha ao matadouro, e como um cordeiro diante do que o tosquia emudecerá, e não abrirá a sua bôca. Ele foi tirado da angústia, e do juízo: Quem contará a sua geração? Porque ele foi cortado da terra dos viventes: Eu o feri por causa da maldade do meu povo. E lhe dará os ímpios pela sepultura, e o rico pela sua morte: Porque ele não cometeu iniquidade, nem se achou nunca dolo na sua bôca. E o Senhor quis quebrantá-lo na sua enfermidade: Se ele tiver dado a sua alma. pelo pecado, verá a sua descendência perdurável, e a vontade do Senhor será por sua mão prosperada. Verá o fruto do que a sua alma trabalhou e se fartará: Aquele mesmo justo meu servo justificará a muitos com a sua ciência, e ele tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso 'eu lhe darei por sorte uma grande multidão de pessoas: E ele distribuirá os despojos dos fortes, porque entregou a sua alma à morte, e foi pôsto no número dos malfeitores: E ele carregou com os pecados de muitos, e rogou pelos transgressores da lei.
PAIXÃO
Lc 22, 39–71; 23, 1–53
E tendo saído, foi dali, como costumava, para o monte das Oliveiras. E seus discípulos o seguiram também. E quando chegou àquele lugar, lhes disse: Orai para que não entreis em tentação. E Jesus se arrancou dêles obra de um tiro de pedra: E pôsto de joelhos, orava, dizendo: Pai, se é do teu agrado, transfere de mim êste cálice: Não se faça contudo a minha vontade, senão a tua. Então lhe apareceu um anjo do Céu, que o confortava. E pôsto em agonia, orava Jesus com maior instância. E veio-lhe um suor, como de gotas de sangue, que corria sôbre a terra. Depois, tendo-se levantado da oração, e vindo ter com seus discípulos, achou-os dormindo de tristeza. E disse-lhes: Que, vós dormis? Levantai-vos, orai, para que não entreis em tentação. Estando êle ainda falando, eis que chega um tropel de gente: E um dos doze, que se chamava Judas, vinha à testa dêles: O qual se chegou a Jesus para o beijar. E Jesus lhe disse: Judas, basta que entregues o Filho do homem, dando-lhe um ósculo? Então os que estavam com Jesus, vendo no que isto viria a parar, disseram para êle: Senhor, firamo-los à espada? E um dêles deu um golpe num servo do sumo pontífice, e cortou-lhe a orelha direita. Mas respondendo Jesus, disse: Deixai-os, basta. E tendo-lhe tocado a orelha, o sarou. E voltando-se Jesus para os príncipes dos sacerdotes, e para os magistrados do templo, e para os anciãos, que tinham vindo contra êle, disse: Viestes armados de espadas e de varapaus como contra um ladrão? Havendo eu estado cada dia convosco no templo, nunca estendestes as mãos contra mim: Porém esta é a vossa hora, e o poder das trevas. Prendendo logo a Jesus, o levaram à casa do sumo pontífice: E Pedro o ia seguindo de longe. E tendo-se acendido fogo no meio do pátio, e sentando-se todos em roda, estava Pedro no meio dêles. Então uma escrava, que o viu sentado ao lume, depois de encarar bem nele, disse: Êste também era da companhia daquele homem. Mas Pedro o negou, dizendo: Mulher, eu não o conheço. E daí a pouco vendo-o outro, disse-lhe: Tu também és dos tais. Ao que Pedro respondeu: Homem, não o sou. E tendo-se passado o intervalo quase de uma hora, afirmava outro o mesmo, dizendo: Certamente que êste também estava com êle: Pois que também é galileu. E Pedro lhe respondeu: Homem, eu não sei que é o que tu dizes. E no mesmo ponto, quando êle ainda falava, cantou o galo. E voltando-se o Senhor pôs os olhos em Pedro. E Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante, me negarás três vezes: E tendo saído para fora, chorou Pedro amargamente. Entretanto os que tinham prêso a Jesus, faziam escárneo dêle, ferindo-o. E vendaram-lhe os olhos, e davam-lhe na cara: E perguntavam-lhe, dizendo: Adivinha quem é o que te deu? E diziam outras muitas afrontas, blasfemando contra êle. E depois que foi dia se ajuntaram os anciãos do povo, e os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e o levaram ao seu conselho, dizendo ali: Se tu és o Cristo, dize-no-lo. E respondeu-lhes Jesus: Se vo-lo disser, não me haveis de dar crédito. E também se vos fizer qualquer pergunta, não me haveis de responder, nem deixar ir. Mas depois disto estará sentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus. Então disseram todos: Logo tu és o Filho de Deus? Respondeu êle: Vós o dizeis, que eu o sou. E êles prosseguiram: Que mais testemunho nos é necessário? quando nós mesmos o ouvimos da sua bôca. E levantando-se tôda a multidão dos daquele conselho, levaram Jesus a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: A êste temos achado pervertendo a nossa nação, e vedando dar o tributo a César, e dizendo que êle é o Cristo Rei. E Pilatos lhe perguntou, dizendo: Tu és o rei dos judeus? E êle respondendo, disse: Tu o dizes. Então disse Pilatos aos príncipes dos sacerdotes, e ao povo: Eu não acho neste homem crime algum. Mas êles porfiavam cada vez mais, dizendo: Êle subleva o povo com a doutrina que prega por tôda a Judéia, desde Galiléia, onde começou, até aqui. E Pilatos, ouvindo falar de Galiléia, perguntou se era galileu aquele homem. E quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o ao mesmo Herodes, o qual naqueles dias pessoalmente se achava também em Jerusalém. E Herodes tendo visto a Jesus, folgou muito; porque de longo tempo tinha desejo de o ver, por ter ouvido dizer dêle muitas coisas, e esperava ver-lhe fazer algum milagre. Fez-lhe pois muitas perguntas. Mas êle a nenhuma deu resposta. E os príncipes dos sacerdotes, e os escribas estavam ali presentes, acusando-o com grande instância. Herodes, porém, com os do seu exército desprezou-o, e fez escárneo dêle, tendo-o mandado vestir de uma vestidura branca, e tornou-o a enviar a Pilatos. E naquele dia ficaram amigos Herodes e Pilatos, porque estavam antes inimigos um do outro. Pilatos, pois, tendo chamado os príncipes dos sacerdotes, e os magistrados, e o povo, lhes disse: Vós apresentastes-me êste homem, como perturbador do povo, e vêde que fazendo-lhe eu perguntas diante de vós outros, não achei neste homem culpa alguma daquelas de que o acusais. Nem Herodes tampouco, porque vos remeti a êle e eis que nada se lhe tem provado que mereça morte. Soltá-lo-ei logo depois de o castigar. Ora, Pilatos estava precisado a soltar-lhes pela festa um criminoso. Por isso todo o povo gritou a uma voz dizendo: Faze morrer êste, e solta-nos Barrabás. O qual havia sido prêso por causa de uma sedição feita na cidade, e por causa de um homicídio. E Pilatos, que desejava livrar a Jesus, falou de novo aos judeus. Mas êles tornaram a gritar, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. E terceira vez lhes disse Pilatos: Pois que mal fez êle? Eu não acho nele causa alguma de morte; irei logo castigá-lo, e depois soltá-lo-ei. Mas êles instavam, pedindo a grandes vozes que fôsse crucificado, e cresciam mais as suas vozes. Enfim ordenou Pilatos que se executasse o que êles pediam. No mesmo tempo soltou-lhes aquele que havia sido prêso por causa do homicídio, e da sedição, que era quem êles pediam, e permitiu-lhes que fizessem de Jesus o que quisessem. Indo-o já levando, pegaram num certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha de uma granja, e puseram a Cruz sôbre êle, para que a levasse após de Jesus. E seguia-o uma grande multidão de povo, e de mulheres: Que batendo nos peitos o choravam e lamentavam. Mas Jesus voltando-se para elas, lhes disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sôbre mim, mas chorai sôbre vós mesmas, e sôbre vossos filhos. Porque sabei que virá tempo em que se dirá: Ditosas as que são estéreis, e ditosos os ventres que não geraram, e ditosos os peitos que não deram de mamar. Então começarão os homens a dizer aos montes: Caí sôbre nós: e aos outeiros: Cobri-nos. Porque se isto se faz no lenho verde, que se fará no sêco? E eram também levados com Jesus outros dois, que eram malfeitores, para se lhes dar a morte. E depois chegaram ao lugar que se chama Calvário; ali o crucificaram a êle, e aos ladrões, um à direita e outro à esquerda. E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Dividindo porém os seus vestidos, sortearam-nos. Entretanto estava o povo olhando para êle e os príncipes dos sacerdotes com o povo o escarneciam, dizendo: Quem salvou aos outros, que se salve a si, se êste é o Cristo escolhido de Deus. E da mesma sorte o escarneciam os soldados, chegando-se a êle, e oferecendo-lhe a beber vinagre, e dizendo: Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. Erat autem et superscriptio scripta super eum litteris græcis, et latinis, et hebraicis : Hic est rex Judæorum. E um daqueles ladrões, que estavam dependurados, blasfemava contra êle, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós outros. Mas o outro respondendo, o repreendia, dizendo: Nem ainda tu temes a Deus, estando no mesmo suplício. E nós outros o estamos na verdade justamente, porque recebemos o castigo que merecem as nossas obras: Mas êste nenhum mal fez. E dizia a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino: E Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo: Que hoje serás comigo no paraíso. Era então quase a hora sexta, e tôda a terra ficou coberta de trevas até à hora nona. Escureceu-se também o sol: E rasgou-se pelo meio o véu do templo. E Jesus dando um grande brado, disse: Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito. E dizendo estas palavras, expirou. O centurião, porém, que tinha visto o que sucedera, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade que êste homem era justo. E todo o povo que assistia a êste espetáculo, e via o que se passava, retirava-se batendo nos peitos. Todos os que eram do conhecimento de Jesus, e as mulheres que o tinham seguido desde Galiléia, estavam da mesma sorte vendo estas coisas lá de parte. E eis que um varão por nome José, que era do sanedrim, varão bom, e justo, que não tinha consentido com a determinação dos outros nem com o que êles tinham obrado, de Arimatéia, cidade de Judéia, o qual também esperava o reino de Deus: Êste homem pois foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus: E depois que o desceu, amortalhou-o num lençol, e depositou-o num sepulcro aberto em rocha, onde ainda ninguém tinha sido pôsto.
Tradução em revisão
GRADUAL
Sl 101, 2–5, 14
Senhor, ouvi a minha oração e que o meu clamor chegue até Vós.
Não afasteis de mim a vossa face, e, desde que eu caia na tribulação, inclinai para mim vossos ouvidos.
Em qualquer hora em que Vos invocar, não tardeis em me ouvir.
Meus dias desfizeram-se, como o fumo, e os meus ossos ficaram abrasados, como a lenha que passa pela fogueira.
Estou mirrado, como a palha; o meu coração desfaleceu de tal modo que até me esqueci de comer o pão.
Erguei-Vos, Senhor, e compadecei-Vos de Sião, pois é chegado o tempo de ter piedade dela.
OFERTÓRIO
Sl 101, 2–3
Senhor, ouvi a minha oração e que o meu clamor chegue até Vós; não afasteis de mim a vossa face.
COMUNHÃO
Sl 101, 13, 14
Misturei as minhas lágrimas com a minha bebida; porque, depois de haver sido elevado, me esmagastes, como palha. Mas Vós, Senhor, reinais eternamente. Erguei-Vos e compadecei-Vos de Sião, porque chegou o tempo que deveis compadecer-Vos dela.
Leituras do Missal Romano de 1962 · tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo
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