A morte despoja de tudo
JÓ 20, 15
«Vomitará as riquezas que devorou, e Deus lhas fará sair das entranhas.»
Ponto IA fugacidade dos bens presentes
As pessoas apegadas ao século estimam ditosas unicamente aquelas que usufruem fartamente dos bens terrenos, das pompas e dos prazeres; todavia a morte colocará termo súbito a todas essas ilusões mundanas. Como nos adverte São Tiago: «Porque que coisa é a vossa vida? É um vapor, que aparece por um pouco de tempo» (Tg 4, 15). Assim como as névoas que se elevam da terra, quando iluminadas pelos raios solares, ostentam brilho admirável mas dissipam-se ao menor sopro do vento, assim também fenece a glória humana. O homem outrora cortejado, temido e cercado de homenagens amanhã estará inerte na sepultura, desamparado e esquecido. Conta-se do irmão do venerável Tomás de Kempis que, tendo erguido suntuosa morada, ouviu de um amigo que o edifício continha um grave defeito: ter uma porta, pela qual o morador forçosamente haveria de sair morto um dia, deixando para trás todas as suas comodidades.

