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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

A tristeza dos Apóstolos e as desolações espirituais

DOMINGO, 15 DE MAIO · IV DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA

A tristeza dos Apóstolos e as desolações espirituais

JO 16, 7

«A vós convém-vos que eu vá: porque se eu não for, não virá a vós o Consolador.»

Ponto IO desígnio divino nas aridezes de espírito

Os apóstolos afligiram-se quando Nosso Senhor lhes anunciou que logo os deixaria quanto à sua presença corporal; semelhantemente, muitas almas piedosas caem em tristeza quando se veem privadas dos consolos sensíveis e julgam-se abandonadas por Deus. Consolem-se, todavia, pois as aridezes e trevas não significam repulsa, mas desígnio amoroso para o seu adiantamento. Como ensina São Bernardo, se o Divino Esposo oculta por breve tempo a sua face, tudo ordena para o verdadeiro bem da esposa: retira-se para preservá-la do orgulho, a fim de que não venha a desprezar o próximo por causa das carícias recebidas, e para que o busque com mais ardente anelo. O amor genuíno manifesta-se não tanto em abraçar a quem nos cumula de doçuras, quanto em seguir com fidelidade a quem parece afastar-se. Disse o Redentor a Santa Gertrudes que lhe agradam sumamente aqueles que o servem à sua própria custa, perseverando no dever sem qualquer deleite sensível. Santo Afonso mesmo atesta que pouco confia em virtudes nutridas unicamente de doçuras exteriores: quando cessa o gosto, tais almas facilmente esmorecem e recaem na tibieza.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: La vera sposa di Gesù Cristo (1760), Capo XIII («Dalla pazienza nell'infermità, povertà, disprezzi e desolazioni»), § 2, nn. 10-12, pp. 38-41. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.