A tristeza dos Apóstolos e as desolações espirituais
JO 16, 7
«A vós convém-vos que eu vá: porque se eu não for, não virá a vós o Consolador.»
Ponto IO desígnio divino nas aridezes de espírito
Os apóstolos afligiram-se quando Nosso Senhor lhes anunciou que logo os deixaria quanto à sua presença corporal; semelhantemente, muitas almas piedosas caem em tristeza quando se veem privadas dos consolos sensíveis e julgam-se abandonadas por Deus. Consolem-se, todavia, pois as aridezes e trevas não significam repulsa, mas desígnio amoroso para o seu adiantamento. Como ensina São Bernardo, se o Divino Esposo oculta por breve tempo a sua face, tudo ordena para o verdadeiro bem da esposa: retira-se para preservá-la do orgulho, a fim de que não venha a desprezar o próximo por causa das carícias recebidas, e para que o busque com mais ardente anelo. O amor genuíno manifesta-se não tanto em abraçar a quem nos cumula de doçuras, quanto em seguir com fidelidade a quem parece afastar-se. Disse o Redentor a Santa Gertrudes que lhe agradam sumamente aqueles que o servem à sua própria custa, perseverando no dever sem qualquer deleite sensível. Santo Afonso mesmo atesta que pouco confia em virtudes nutridas unicamente de doçuras exteriores: quando cessa o gosto, tais almas facilmente esmorecem e recaem na tibieza.

