Os frutos da meditação da Paixão de Jesus Cristo
JO 8,56
«Vosso pai Abraão desejou ansiosamente ver o meu dia: Viu-o, e ficou cheio de gôzo.»
Ponto IA visão profética de Abraão e a caridade de Cristo crucificado
Não foi sem profundo mistério que o patriarca Abraão ansiou por contemplar o dia do Redentor, e quando lhe foi dado entrever a reconciliação do mundo em visão profética, encheu-se de jubiloso contentamento (Jo 8,56). A época inaugurada pela Encarnação e morte de Cristo não é tempo de servil receio, mas época de caridade sem limites. Na Antiga Aliança, antes que o Verbo assumisse a nossa carne mortal, podia a criatura humana hesitar quanto à intensidade do amor divino; mas depois que contemplamos o Criador expirar despojado de honras e coberto de opróbrios sobre o patíbulo do Gólgota, já não é lícito duvidar de sua infinita misericórdia: «Ele nos amou e lavou-nos dos nossos pecados em seu próprio sangue» (Ap 1,5).

