Os bens do mundo não podem fazer-nos felizes
ECL 2, 11
«Vi em tudo vaidade e aflição do ânimo, e que nada havia permanente debaixo do sol.»
Ponto I
Todos os homens labutam nesta vida à procura da paz. Fadiga-se o negociante no comércio, o soldado nos combates e o litigante nos tribunais, julgando que mediante lucros, postos honrosos e vitórias temporais assegurarão repouso estável ao espírito. Pobres mundanos, que buscam a concórdia e a quietação no mundo, incapaz de outorgá-las! Só o Criador pode conceder a verdadeira tranquilidade: Dai aos vossos servos, Senhor, suplica a santa Igreja, aquela paz que o mundo não pode dar. Todas as riquezas criadas reunidas não satisfazem as aspirações do homem, porque não fomos formados para tais sombras, senão para Deus. Os animais satisfazem-se com os pastos terrestres: dai feno ao cavalo ou carne ao cão, e nada mais reclamam; a alma racional, contudo, destinada a possuir o Sumo Bem, sente-se vazia sob o império dos sentidos.

