O centurião e as pessoas de meia fé
MT 8,10
«E Jesus, ouvindo-o assim falar, admirou-se, e disse para os que o seguiam: Em verdade vos afirmo, que não achei tamanha fé em Israel.»
Ponto ICrer e viver segundo a fé
Para alcançar a salvação, não é suficiente acreditar no que a fé ensina; é preciso também conduzir a vida conforme o que ela manda. Escreveu o grande Pico della Mirandola: «Grande loucura é, certamente, não crer no Evangelho; mas muito maior loucura é viver como se duvidássemos de sua veracidade.» Se os incrédulos procedem loucamente ao fechar os olhos para não verem o precipício, maior é a loucura dos fiéis que o veem e nele se lançam com os olhos abertos. Quem, depois de tantos sinais tão claros da verdade da nossa fé católica, não a quer aceitar, procede como insensato; muito mais, porém, quem a aceita e depois vive como se não acreditasse nela. «Que aproveitará, irmãos meus, a um que diz que tem fé, se não tem obras?» (Tg 2,14). Por isso São Bernardo nos exorta: «Que as tuas ações comprovem a tua fé.» A vida virtuosa manifesta que a pessoa tem verdadeira fé. De outro modo, diz o mesmo santo: «Se confessas conhecer a Deus, mas pelas obras o negas, entregaste a língua a Cristo e a alma ao demônio.» A fé desacompanhada das obras é um cadáver de fé: «Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma» (Tg 2,17). Assim como se declara morto quem já não exerce os atos da vida, já não pensa, não fala nem respira, também é morta a fé que não produz obras para a vida eterna. E, assim como um corpo privado da alma continua sendo corpo, mas não pode realizar atos vitais, a fé sem a caridade continua sendo fé, mas não pode produzir obras merecedoras da salvação eterna.

