Na morte tudo acaba
JÓ 17,1
«O meu espírito se vai atenuando, os meus dias se abreviam, e só me resta o sepulcro.»
Ponto I
Davi chamou à felicidade da vida presente um sonho de quem desperta: «Como sonho dos que despertam, tornarás, Senhor, em nada a imagem dêles, na tua cidade.» (Sl 72,20). Os bens desta terra afiguram-se grandes e valiosos enquanto duram as ilusões dos sentidos, mas na realidade não são nada e passam com extrema rapidez, à semelhança de um sonho que logo se dissipa. Foi essa profunda reflexão — que com a morte tudo tem fim — que determinou São Francisco de Borja a consagrar-se sem reserva a Deus. Ao acompanhar a Granada os despojos mortais da imperatriz Isabel e presenciar o caixão aberto, enquanto todos fugiam diante do horror e do mau cheiro da corrupção, o santo deteve-se com o coração iluminado pela luz celeste a contemplar a fragilidade humana.

