Da pureza de intenção
CL 3,17
«Tudo quanto quer que fizerdes seja de palavra ou de obra, fazei tudo isso em nome do Senhor Jesus Cris- “to, dando por ele graças a Deus, e Padre.»
Ponto I
A pureza de intenção consiste em fazer tudo somente para agradar a Deus. Jesus Cristo disse que, conforme a intenção seja boa ou má, assim será a obra diante de Deus: «O teu ôlho é a luz do teu corpo. Se o teu ôlho fôr simples: Todo o teu corpo será luminoso.» «Mas se o teu ôlho for mau: Todo o teu corpo estará em trevas. Se pois a luz, que em ti há, são trevas: Quão grandes não serão essas mesmas trevas?» (Mt 6,22-23). Pelo olho simples se entende a intenção pura, voltada a contentar Deus; pelo olho escuro, a intenção sem retidão, quando se age por vaidade ou para agradar a si. Existe ação mais bela que dar a vida pela fé? Entretanto, São Paulo diz que nada aproveita o martírio de quem morre por outro fim que agradar a Deus. Se até o martírio nada vale quando não é sofrido por Deus, de que valerão todas as pregações, os livros, os trabalhos dos ministros sagrados e mesmo as mortificações dos penitentes, caso se façam para receber louvores ou seguir o próprio gosto? O profeta Ageu disse que as obras, embora santas em si, quando não se fazem por Deus, são postas num saco furado. Tudo sai por ele; nada permanece.

