Infeliz de quem peca contando com o perdão
JÓ 11,20
«Mas os olhos dos ímpios desfalecerão, e não lhes ficará refúgio, e a esperança deles será abominação da sua alma.»
Ponto I
Na parábola do joio, em São Mateus, capítulo 13, vemos que, tendo crescido o joio no campo junto com o trigo, os servos queriam arrancá-lo: «Queres tu que vamos, e que o arranquemos?» O dono respondeu que o deixassem crescer; depois seria recolhido e lançado ao fogo: «Deixai crescer uma, e outra coisa até à ceifa, e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiramente a cizânia, e atai-a em molhos para a queimar, mas o trigo recolhei-o no meu celeiro.» (Mt 13,30). Essa parábola mostra, de um lado, a paciência do Senhor com os pecadores e, de outro, seu rigor com quem se obstina. Santo Agostinho diz que o demônio engana as pessoas de duas maneiras: levando-as a desesperar e levando-as a esperar. Depois do pecado, tenta o pecador a desesperar, pelo terror da justiça divina; antes do pecado, estimula-o a pecar, pela esperança da misericórdia. Por isso o santo adverte: «Depois do pecado, espera a misericórdia; antes do pecado, teme a justiça.» Não merece misericórdia quem a emprega para ofender Deus. Usa-se de misericórdia com quem teme a Deus, e não com quem se serve dela para deixar de temê-lo. Quem ofende a justiça, diz o Abulense, pode recorrer à misericórdia; mas a quem recorrerá quem ofende a própria misericórdia?

