O remorso do condenado: Podia salvar-me tão facilmente!
JR 8, 20
«Passou a ceifa, acabou o estio, e nós não fomos salvos.»
Ponto IO desengano eterno por ninharias perdidas
Ensina Santo Tomás de Aquino que o tormento interior mais acerbo dos condenados consiste em verem que se perderam por ninharias e que, se tivessem querido, com extrema facilidade teriam alcançado a felicidade eterna do céu. Um réprobo apareceu ao Beato Humberto e confessou-lhe que a dor suprema que o queimava nas trevas infernais era precisamente a lembrança do vil preço pelo qual se condenara e da facilidade com que poderia ter-se salvado. Exclamará na desesperação: Se eu tivesse guardado o recolhimento dos olhos, refreado os respeitos mundanos e fugido daquela má companhia, daquela perigosa convivência e daquelas reuniões levianas, jamais estaria sepultado neste fogo. Bastaria confessar-me regularmente, ouvir com devoção a palavra de Deus, meditar a cada dia e recorrer a Jesus e Maria, para não sucumbir; propus tantas vezes emendar-me, mas diferi para mais tarde, e assim perdi-me sem remédio.

