A imensa glória concedida no Céu aos religiosos
MT 19, 29
«Todo o que deixar casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe... por amor do meu nome, receberá o cêntuplo, e possuirá a vida eterna.»
Ponto IA recompensa do sacrifício total
Ensina São Bernardo que a alma consagrada que persevera no claustro tem caminho expedito para a glória eterna: raramente alguém desce da cela para o inferno, pois quem persevera fielmente até a morte na vida religiosa tem nisso indício singular de salvação e predestinação. Além disso, o paraíso é denominado coroa de justiça; embora Deus premie as boas obras com liberalidade infinita, remunera a cada um na proporção de seus merecimentos. Consideremos, pois, a recompensa sublime reservada àqueles que tudo renunciaram por Cristo: deixam bens e riquezas para viver em santa pobreza; separam-se do afeto de parentes para unir-se a Deus; mortificam incessantemente os apetites temporais; e, acima de tudo, sacrificam o próprio arbítrio pela emissão da santa obediência. Essa renúncia do querer pessoal é o sacrifício mais custoso que podemos oferecer, e aquilo que o Senhor com predileção nos pede: «Dá-me, filho meu, o teu coração» (Pr 23, 26). Quem serve a Deus no século oferece dádivas parciais, mas quem professa os votos sagrados consagra a árvore inteira com todos os seus frutos.

