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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Vinda do divino Juiz e exame no Juízo final

TERÇA-FEIRA, 25 DE JANEIRO · CONVERSÃO DE SÃO PAULO

Vinda do divino Juiz e exame no Juízo final

MT 24,30

«E então aparecerá o sinal do Filho do homem no Céu: E então todos os povos da terra chorarão: E verão ao Filho do homem, que virá sôbre as nuvens do Céu com grande poder, e majestade.»

SUMÁRIO

Abertos os céus no fim dos tempos, o Juiz supremo comparecerá nas nuvens em grande glória e poder, precedido pelos anjos com as insígnias de sua Paixão. Ante a abertura dos livros da consciência e o testemunho inapelável de suas obras, que desculpa apresentará quem desprezou a misericórdia? Recorramos agora à penitência antes que chegue a hora da justiça.

Ponto I

Considerai como a divina justiça congregará todas as nações no vale de Josafá quando, no termo do mundo, ressuscitarem os corpos mortais para receberem, conjuntamente com a alma, a recompensa perpétua ou o castigo merecido. Abrem-se as abóbadas celestes e os anjos acorrem para assistir ao juízo supremo, trazendo os sinais veneráveis da Paixão de Jesus Cristo, consoante ensina Santo Tomás. Sobretudo resplandecerá a Santa Cruz: «E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu, e todos os povos da terra se lamentarão em pranto» (Mt 24, 30). Pondera Cornélio a Lápide: ao contemplarem o Madeiro sagrado, como hão de chorar os pecadores que em vida desprezaram a própria salvação, a qual custou ao Redentor todo o seu preciosíssimo Sangue! Como assessores deste temível tribunal sentar-se-ão os santos apóstolos e os que imitaram sua perfeição, para julgar as gentes: «Os justos refulgirão e julgarão as nações» (Sb 3, 7). Comparecerá igualmente a Rainha dos Anjos e dos Santos, Maria Santíssima. Por fim, o divino Juiz descerá sobre um trono cercado de resplendor e poder infinito: «E verão ao Filho do homem, que virá sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade» (Mt 24, 30). Se a vista do divino Mestre há de encher os eleitos de inexprimível júbilo, aos réprobos ela causará tormento mais dilacerante do que o próprio abismo infernal, conforme assevera São Jerônimo. Por esta causa exclamava Santa Teresa: «Ó meu doce Jesus, infligi-me qualquer penalidade, mas não consintais que em tal dia eu veja a vossa face indignada contra mim!». E São Basílio acrescenta que a vergonha diante do Juiz superará todas as dores. Cumprir-se-á então o anúncio do Apocalipse: os condenados clamarão às rochas e aos montes que despenhem sobre eles para encobri-los da face d’Aquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro.

Ponto II

Tem início o julgamento solene. Abrem-se os processos, isto é, desnudam-se as consciências diante do universo inteiro: «Assentou-se o juízo e abriram-se os livros» (Dn 7, 10). As primeiras testemunhas a depor contra os réprobos serão os espíritos infernais, bradando segundo Santo Agostinho: «Ó Deus justíssimo, julgai ser nosso aquele que de maneira nenhuma quis pertencer-Vos!». Em seguida, serão testemunhas as próprias consciências dos culpados: «Dando-lhes testemunho a sua consciência» (Rm 2, 15). Outras vozes acusadoras serão as pedras e as paredes dos aposentos onde Deus foi ofendido: «Porque a pedra clamará da parede» (Hab 2, 11). Testemunha final e irrefutável será o próprio Juiz soberano, diante de cujos olhos nada permaneceu oculto. Ensina São Paulo que nessa hora o Senhor há de manifestar o que jaz escondido nas trevas (1 Cor 4, 5); descobrirá publicamente as culpas mais vergonhosas que em vida foram dissimuladas ou omitidas. As faltas dos justos, segundo os santos doutores, permanecerão sepultadas e cobertas pela misericórdia, conforme o salmista: «Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades foram perdoadas e cujos pecados estão cobertos» (Sl 31, 1). Os delitos dos réprobos, porém, como diz São Basílio, serão contemplados de um relance pelo gênero humano, como estampados em terrível painel. Considerai, pois: que será de vós naquele instante? Que desculpas haveis de oferecer se vos tiverdes descuidado da alma? Apressemonos em converter o coração, praticando fecunda penitência enquanto brilha o tempo favorável.

AFETOS E ORAÇÕES

Ó Salvador amadíssimo de minha alma, que sentença me aguardará naquele temível dia? Se agora me chamásseis a prestar contas de minhas obras passadas, nada poderia responder senão confessar que mereci mil vezes o fogo eterno. Reconheço e choro as minhas transgressões; mas confio em vossa bondade infinita, ó dulcíssimo Jesus: não sejais para mim um juiz rigoroso, mas o meu Salvador compassivo! Perdoai-me pelo amor de vossas sagradas chagas e abrasai o meu coração na caridade divina, a fim de que eu não mais me separe de vossos mandamentos. E vós, ó clementíssima Virgem Maria, minha refúgio e advogada, intercedei agora por mim junto ao vosso amado Filho, para que neste mundo eu alcance a perseverança e no juízo derradeiro me encontre à sua direita na companhia dos eleitos. Amém.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Apparecchio alla morte (1758), Considerazione XXV («Del giudizio universale»), Punti II e III, pp. 240–247. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.