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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Jesus, fonte de graças

QUARTA-FEIRA, 15 DE DEZEMBRO · TÊMPORAS DE ADVENTO — QUARTA-FEIRA

Jesus, fonte de graças

IS 12,3

«Vós tirareis com gosto águas das fontes do Salvador.»

SUMÁRIO

Em Jesus Cristo temos quatro fontes de graças, segundo São Bernardo: de misericórdia, de paz e consolação, de devoção e de amor. Quem delas se vale tira sempre águas de alegria e de salvação.

Ponto I

Considera as quatro fontes de graças que temos em Jesus Cristo, contempladas por São Bernardo (Serm. 1 na Natividade do Senhor). A primeira fonte é de misericórdia, na qual podemos lavar-nos de todas as imundícies dos nossos pecados. Esta fonte foi formada para nós pelo Redentor com as suas lágrimas e o seu sangue: «Amou-nos e lavou-nos dos nossos pecados no seu sangue» (Ap 1,5).

A segunda fonte é de paz e consolação nas nossas tribulações: «Invoca-me — diz Jesus Cristo — no dia da tribulação» (Sl 49,15), e eu te consolarei. «Se alguém tem sede, venha a mim» (Jo 7,37). Quem tem sede das verdadeiras consolações, ainda nesta terra, venha a mim, que o farei contente. Quem provar as águas do meu amor desdenhará para sempre todas as delícias do mundo: «mas o que beber da água que eu lhe hei de dar, nunca jamais terá sêde» (Jo 4,13). E plenamente contente será depois, quando entrar no reino dos bem-aventurados; pois a água da minha graça o elevará da terra ao céu: «Virá a ser nele uma fonte de água que salte para a vida eterna» (Jo 4,14). A paz que Deus dá às almas que o amam não é a paz que o mundo promete nos prazeres sensuais, que deixam depois na alma mais amargura que paz; a paz que Deus dá excede todos os deleites dos sentidos: «A paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento» (Fl 4,7). Bem-aventurados os que desejam esta fonte divina! «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça» (Mt 5,6).

A terceira fonte é de devoção. Oh, como se torna devoto e pronto a seguir as divinas inspirações, e cresce sempre nas virtudes, quem medita com frequência quanto fez Jesus Cristo por nosso amor! Ele será como a árvore que está plantada junto à margem das águas correntes (Sl 1,3).

A quarta fonte é de amor: «Na minha meditação se incenderá fogo» (Sl 38,4). Quem medita os padecimentos e as ignomínias que Jesus Cristo sofreu por nosso amor não pode deixar de sentir-se inflamado daquele fogo bem-aventurado que ele veio acender na terra. Com isso se torna verdadeiríssimo que quem se vale destas bem-aventuradas fontes que temos em Jesus Cristo tirará sempre delas águas de gáudio e de salvação: «Vós tirareis com gosto águas das fontes do Salvador.»

AFETOS E ORAÇÕES

Ó doce e caro meu Salvador, quanto vos devo! quanto me obrigastes a amar-vos! pois fizestes por mim o que não teria feito um filho por seu pai, nem um servo por seu senhor. Se, pois, me amastes mais do que a qualquer outro, é razão que eu vos ame sobre todos os outros.

Quisera morrer de dor, pensando que vós tanto padecestes por mim e consentistes, por amor de mim, no gênero de morte mais cruel e infamante a que um homem pode ser condenado; e eu tantas vezes desprezei a vossa amizade. Quantas vezes me perdoastes, e eu tornei a desprezar-vos! Mas os vossos méritos são a minha esperança. Agora estimo mais a vossa graça que todos os reinos da terra.

Eu vos amo; e por vosso amor aceito toda pena, toda morte. E se não sou digno de morrer às mãos de carrascos pela vossa glória, aceito ao menos de bom grado aquela morte que me destinastes; e a aceito do modo e no tempo que dispuserdes.

Mãe minha Maria, alcançai-me de viver sempre e de morrer amando Jesus.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Meditazioni per li giorni dell'Avvento sino alla novena della nascita di Gesù Cristo (1758), Meditazione XVI («Haurietis aquas in gaudio de fontibus Salvatoris») e «Affetti e preghiere» (_P2K0.HTM), pp. 174-175 da paginação do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.