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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

O encarceramento de João e a utilidade das tribulações

DOMINGO, 5 DE DEZEMBRO · II DOMINGO DO ADVENTO

O encarceramento de João e a utilidade das tribulações

MT 11,2

«E como João, estando no cárcere, tivesse ouvido as obras de Cristo...»

SUMÁRIO

Nas tribulações Deus enriquece as almas que lhe são caras com as maiores graças. Mostra-se quanto nos aproveitam as tribulações e como devemos portar-nos nelas: deixando o pecado, voltando-nos a Deus e confiando na sua misericórdia.

Deus, nas tribulações, enriquece com as suas maiores graças as almas que lhe são caras. Eis São João que, entre as cadeias e as angústias do cárcere, aprende a conhecer as obras de Jesus Cristo: «João, estando no cárcere, ouviu as obras de Cristo». É demasiado grande o proveito que nos trazem as tribulações; o Senhor no-las manda não porque nos queira mal, mas porque nos quer bem; por isso devemos abraçá-las, quando vierem, com ação de graças, não só resignando-nos à sua divina vontade, mas até nos alegrando de que Deus nos trate como tratou a Jesus, seu Filho, que nesta terra levou uma vida sempre atribulada. Quero, pois, mostrar-vos hoje:

No ponto I. Quanto nos aproveitam as tribulações. No ponto II. Como devemos portar-nos nas tribulações.

Ponto IQuanto nos aproveitam as tribulações

«Quem não foi tentado, que sabe? O homem experimentado em muitas coisas pensará muitas coisas, e o que muito aprendeu saberá dar às coisas uma verdadeira inteligência» (Eclo 34,9). Quem vive na prosperidade e não tem experiência das coisas adversas nada sabe do estado da sua alma. A tribulação, em primeiro lugar, abre-nos os olhos que a prosperidade nos mantém fechados. São Paulo, ficando cego quando lhe apareceu Jesus Cristo, então reconheceu os erros em que vivia. O rei Manassés, estando no cárcere em Babilônia, recorreu a Deus, reconheceu os seus pecados e fez penitência: «Depois que se viu reduzido a um grande aperto, orou ao Senhor e fez grande penitência diante de Deus» (2 Cr 33,12). O filho pródigo, achando-se reduzido a guardar porcos e aflito de fome, disse: «Levantar-me-ei e irei a meu pai» (Lc 15,18).

Em segundo lugar, a tribulação desprende-nos da afeição às coisas da terra. A mãe, quando quer desmamar o seu menino, põe fel nos seios, para que o filho os aborreça e se resolva a tomar melhor alimento. Assim faz Deus conosco para nos desapegar dos bens terrenos: põe fel nas coisas terrenas, faz que, provando-lhes a amargura, as aborreçamos e ponhamos a afeição nos bens celestes. Diz Santo Agostinho: «Por isso Deus mistura amarguras às felicidades terrenas, para que se busque outra felicidade, cuja doçura não engane.»

Em terceiro lugar, os que vivem na prosperidade são molestados por muitas tentações de soberba, de vanglória, de ânsia de adquirir mais riquezas, mais honras e mais prazeres. Destas tentações livram-nos as tribulações, e tornam-nos humildes e contentes no estado em que o Senhor nos coloca. Por isso escreveu o Apóstolo: «Somos corrigidos pelo Senhor, para não sermos condenados com este mundo» (1 Cor 11,32).

Em quarto lugar, fazem-nos satisfazer pelos pecados cometidos muito melhor que as penitências voluntariamente feitas por nós. «Entende — diz Santo Agostinho — que Deus é médico e que a tribulação é medicamento para a salvação.» Oh, que grande remédio é a tribulação para sarar as feridas que nos abriram os pecados! Por isso o santo repreende o pecador que se queixa de Deus por atribulá-lo: «De que te queixas? O que padeces é medicina, não castigo.» Jó chama bem-aventurado quem é corrigido por Deus com as tribulações, porque Deus, com as mesmas mãos com que o fere e fustiga, com elas o cura: «Ele fere e cura; dá o golpe, e as suas mãos curarão» (Jó 5,18). Por isso São Paulo se gloriava ao ver-se atribulado: «Gloriamo-nos nas tribulações» (Rm 5,3).

Em quinto lugar, as tribulações trazem-nos Deus à lembrança e forçam-nos a buscar refúgio na sua misericórdia, vendo que só ele pode e quer aliviar-nos das nossas misérias: «Vendo-se na sua tribulação, dar-se-ão pressa a recorrer a mim» (Os 6,1). Por isso o Senhor, falando aos atribulados, disse: «Vinde a mim todos os que andais em trabalho e vos achais carregados, e eu vos aliviarei» (Mt 11,28); assim nos dá ânimo. Por isso se faz chamar: Auxiliador nas tribulações. Escreveu Davi: «Quando os fazia morrer, o buscavam, e se convertiam» (Sl 77,34). Os hebreus, vendo-se atribulados e os inimigos fazendo neles estrago, lembravam-se de Deus e voltavam a ele.

Em sexto lugar, as tribulações fazem-nos ganhar grandes méritos diante de Deus, dando-nos ocasião de exercitar as virtudes que lhe são mais caras, como a humildade, a paciência e a conformidade com a divina vontade. Dizia o venerável Pe. João de Ávila: «Vale mais um bendito seja Deus nas coisas contrárias do que mil ações de graças nas prósperas.» Diz Santo Ambrósio: «Tira aos mártires os combates, e lhes tiraste a coroa»; tira aos mártires o padecer, e lhes tirarás a coroa. Oh, que tesouro de méritos adquire uma pessoa que sofre com paciência os desprezos, a pobreza e as enfermidades! Os desprezos recebidos dos homens são os verdadeiros desejos dos santos, que anseiam ser desprezados por amor de Jesus Cristo, para assim se tornarem semelhantes a ele.

Além disso, quanto se ganha suportando as incomodidades da pobreza! «Meu Deus e meu tudo», dizia São Francisco de Assis, e, assim dizendo, achava-se mais rico que todos os grandes da terra. É demasiado verdadeiro o que escreveu Santa Teresa: «Quanto menos tivermos cá, tanto mais gozaremos lá.» Oh, bem-aventurado quem pode dizer de coração: Meu Jesus, só tu me bastas. Se, porém, te julgas infeliz por seres pobre, diz São João Crisóstomo, és de fato infeliz e digno de lágrimas; não por seres pobre, mas porque, sendo pobre, não abraças a tua pobreza e te julgas infeliz: «Bem és digno de lágrimas por te julgares miserável, não por seres pobre.»

Além disso, sofrendo com paciência os padecimentos das enfermidades, completa-se grande parte, e talvez a maior parte, da coroa que nos está preparada no céu. Queixa-se algum doente de que, estando assim, nada pode fazer; mas erra, porque, estando assim, pode tudo, aceitando com paz e resignação quanto padece. Escreveu o Crisóstomo: «A cruz de Cristo é a chave do paraíso.»

Dizia São Francisco de Sales: «Esta é a ciência dos santos: sofrer constantemente por Jesus; e assim depressa nos faremos santos.» Assim prova Deus os seus servos e os acha dignos de si: «Deus os tentou e os achou dignos de si» (Sb 3,5). Escreve o Apóstolo: «O Senhor castiga ao que ama e açoita a todo o que recebe por filho» (Hb 12,6). Por isso Jesus Cristo disse um dia a Santa Teresa: «Sabe que as almas mais caras a meu Pai são as que são afligidas pelos maiores padecimentos.» Isto fazia Jó dizer: «Se recebemos os bens da mão de Deus, por que não receberemos também os males?» (Jó 2,10). Se, dizia ele, recebemos de bom grado de Deus os bens, isto é, as prosperidades desta terra, por que não receberemos depois com maior alegria os males, isto é, as tribulações, que nos são muito mais úteis que as prosperidades? Diz São Gregório que, assim como a chama cresce quando o vento a comprime, assim a alma se aperfeiçoa quando as tribulações a comprimem: «O fogo é comprimido pelo sopro para que cresça.»

As tribulações mais atormentadoras para as almas boas são as tentações, com que o demônio nos impele a ofender a Deus; mas quem as repele e as sofre com paciência, recorrendo a Deus, fará com elas grande aquisição de méritos: «Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados mais do que podeis, mas fará que tireis vantagem da própria tentação, para a poderdes suportar» (1 Cor 10,13). E para este fim Deus permite que nos molestem as tentações, a fim de que, repelindo-as, adquiramos mais méritos: «Bem-aventurados os que choram — diz o Senhor — porque eles serão consolados» (Mt 5,5). Bem-aventurados, pois escreve o Apóstolo que as nossas tribulações são momentâneas e muito leves, em comparação com a grandeza da glória que nos hão de conquistar eternamente no céu: «O que aqui é para nós de uma tribulação momentânea e ligeira produz em nós, de um modo todo maravilhoso, um peso eterno de glória» (2 Cor 4,17).

É necessário, pois, diz São João Crisóstomo, sofrer em paz as tribulações, porque, se as aceitares com resignação, «ganharás grandes coisas»; mas, se as tomares de má vontade, não diminuirás a tua miséria, e sim a aumentarás: «Se, porém, as suportares a contragosto, nem farás menor a calamidade, e tornarás maior a tempestade.» Não há remédio, se queremos salvar-nos: «Por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus» (At 14,21). Dizia um grande servo de Deus que o paraíso é o lugar dos pobres, dos perseguidos, dos humilhados e aflitos; tais foram os mártires e todos os santos. Por isso conclui São Paulo: «A paciência é-vos necessária, para que, cumprindo a vontade de Deus, alcanceis o que foi prometido» (Hb 10,36). Mas diz São Cipriano, falando das tribulações dos santos: «Que é isto para os servos de Deus, a quem o paraíso convida?» Que grande coisa é, diz o santo, abraçar as breves aflições desta vida para aqueles a quem estão prometidos os bens eternos do paraíso!

Em suma, os flagelos que Deus nos manda não vêm para o nosso dano, mas para o nosso bem: «Creiamos que os flagelos do Senhor, com os quais somos corrigidos como servos, vieram para a nossa emenda e não para a nossa perdição.» Diz Santo Agostinho: «Deus está irado com aquele a quem, pecando, não açoita.» Quando se vê um pecador atribulado nesta vida, é sinal de que Deus quer ter misericórdia dele na outra, trocando o castigo eterno pelo temporal, que é infinitamente menor. Miserável, ao contrário, é o pecador que nesta terra não é castigado por Deus! É sinal de que o Senhor conserva contra ele o seu desdém e lhe tem reservado o castigo para a eternidade.

O profeta Jeremias pergunta a Deus: «Por que prospera o caminho dos ímpios?» (Jr 12,1). Senhor, por que prosperam os pecadores? Responde a isto o mesmo Jeremias e diz: «Reúne-os como rebanho para o sacrifício e santifica-os para o dia da matança» (Jr 12,3). Assim como no dia do sacrifício se reúnem as ovelhas destinadas à morte, assim os ímpios são destinados à morte eterna, como vítimas da ira divina: «Destina-os como vítimas do teu furor no dia do sacrifício», assim comenta o texto citado Du-Hamel.

Quando, pois, nos vemos atribulados por Deus, digamos com Jó: «Pequei, e verdadeiramente delinqui, e não recebi o que merecia» (Jó 33,27). Senhor, os meus pecados merecem castigo muito maior do que aquele que me dais. Antes, devemos pedir a Deus com Santo Agostinho: «Aqui queima, aqui corta, aqui não poupes, para que na eternidade poupes.» Demasiado grande é o castigo daquele pecador de quem diz o Senhor: «Tenhamos piedade do ímpio, e não aprenderá a justiça» (Is 26,10). Deixemos de castigar o ímpio enquanto vive na terra; ele continuará a viver em pecado e assim será punido com o castigo eterno; por isso escreve São Bernardo, considerando a passagem citada: «Não quero esta misericórdia; esta compaixão está acima de toda ira.» Senhor, não quero esta misericórdia, que é um castigo acima de todo castigo.

Assim, quem se vê atribulado por Deus nesta terra tem sinal certo de ser caro a Deus: «E porque eras aceito a Deus — disse o anjo a Tobias —, foi necessário que a tentação te provasse» (Tb 12,13). Por isso São Tiago chama bem-aventurado o homem atribulado, porque, depois de provado com as aflições, receberá a coroa da vida eterna: «Bem-aventurado o homem que sofre com paciência a tentação, porque, depois de provado, receberá a coroa da vida» (Tg 1,12).

Quem quer ser glorificado juntamente com os santos precisa padecer nesta vida, como padeceram os santos; dos quais nenhum foi bem-querido e bem tratado pelo mundo, mas todos malquistos e perseguidos, sendo demasiado verdadeiro o que escreveu o mesmo Apóstolo: «Todos os que querem viver piamente em Jesus Cristo padecerão perseguição» (2 Tm 3,12). Por isso escreveu Santo Agostinho que quem não quer perseguições ainda não começou a ser cristão: «Se pensas que não tens perseguições, ainda não começaste a ser cristão.» Quando estivermos atribulados, baste-nos a consolação de saber que então o Senhor está perto e nos acompanha: «Perto está o Senhor dos que têm o coração atribulado» (Sl 33,19). «Estou com ele na tribulação» (Sl 90,15).

Ponto IIComo devemos portar-nos nas tribulações

Quem se vê atribulado neste mundo precisa, antes de tudo, deixar o pecado e procurar pôr-se em graça de Deus: de outro modo, tudo o que padece, estando em pecado, para ele está perdido. Dizia São Paulo: «Se eu entregar o meu corpo para ser queimado, mas não tiver caridade, nada me aproveita» (1 Cor 13,3). Se alguém padecesse todos os tormentos dos mártires até morrer queimado, mas estivesse privado da divina graça, nada lhe aproveitaria.

Ao contrário, quem padece, e padece com Deus e por Deus, com resignação, vê todo o padecer converter-se-lhe em consolação e alegria: «A vossa tristeza converter-se-á em gozo» (Jo 16,20). E por isso os apóstolos, depois de injuriados e açoitados pelos judeus, saíram do conselho cheios de alegria, por terem sido tão maltratados por amor de Jesus Cristo: «Iam alegres da presença do conselho, porque foram havidos por dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus» (At 5,41). Assim, quando Deus nos visita com alguma tribulação, é preciso que digamos com Jesus Cristo: «O cálice que o Pai me deu, não o beberei?» (Jo 18,11). Advirtamos que toda tribulação, ainda que nos venha por meio dos homens, vem sempre de Deus, e Deus é quem no-la manda.

Além disso, quando nos vemos atribulados por todos os lados e não sabemos o que fazer, é preciso voltar-nos para Deus, que só pode consolar-nos. Assim dizia o rei Josafá, falando com o Senhor: «Como não sabemos o que havemos de fazer, só nos resta isto: pôr em ti os nossos olhos» (2 Cr 20,12). Assim fazia Davi quando atribulado: recorria a Deus, e Deus o consolava: «Quando me via atribulado, clamei ao Senhor, e ele me atendeu» (Sl 119,1). Devemos recorrer a Deus e rogar-lhe, e não deixar de rogar-lhe até que nos atenda: «Como os olhos da serva estão nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos no Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós» (Sl 122,2), diz o mesmo profeta. É preciso não tirar os olhos de Deus e continuar a rogar-lhe, até que ele se mova a compaixão de nós. É preciso ter grande confiança no coração de Jesus Cristo, que é cheio de misericórdia, e não fazer como alguns que, mal começaram a rezar e não se vendo atendidos, logo perdem o ânimo. A estes deve-se dizer o que o Salvador disse a São Pedro: «Homem de pouca fé, por que duvidaste?» (Mt 14,31). Quando as graças que pedimos são espirituais, ou podem contribuir para o bem das nossas almas, devemos estar seguros de que Deus sempre nos atenderá, contanto que sejamos constantes em rezar e não percamos a confiança: «Todas as coisas que pedirdes orando, crede que as haveis de receber, e assim vos sucederão» (Mc 11,24). Nas tribulações, pois, é necessário que nunca deixemos de confiar em que a divina piedade nos há de consolar, e, quando a tribulação persiste, é preciso dizer com Jó: «Ainda quando ele me matasse, nele esperarei» (Jó 13,15).

As almas de pouca fé, quando se veem atribuladas, em vez de recorrer a Deus recorrem a meios humanos, e assim desagradam a Deus e ficam frustradas nas suas misérias: «Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, inutilmente se desvela o que a guarda» (Sl 126,1). Santo Agostinho escreve sobre este texto: «Ele edifica, ele abre a inteligência, ele aplica ao fim o vosso entendimento; e no entanto trabalhamos também nós como operários, mas, se o Senhor não guardar a cidade», etc. Todo bem, todo auxílio há de vir de Deus; de outro modo, as criaturas em nada podem ajudar-nos.

Disto se queixa o Senhor dizendo: «Porventura não está o Senhor em Sião? Por que razão me provocaram à ira com os seus ídolos? Acaso não há resina em Galaad? ou não se acha lá médico? Por que razão, logo, não se fechou a ferida da filha do meu povo?» (Jr 8,19.22). Acaso não estou eu em Sião, diz Deus, que os homens querem provocar-me a ira recorrendo às criaturas, que fazem seus ídolos, pondo nelas toda a sua esperança? Procuram remédio para os seus males? E por que não o procuram em Galaad, monte da Arábia cheio de aromas balsâmicos, pelo qual se significa a misericórdia divina, onde podem achar o médico e a medicina de todos os seus males? Por que, pois, diz Deus, ficam abertas as vossas chagas sem se curarem? Porque quereis recorrer e confiar nas criaturas, e não em mim.

Em outro lugar diz o Senhor: «Porventura fui eu para Israel um deserto, ou terra tardia? Por que disse, pois, o meu povo: Retiramo-nos, não voltaremos mais a ti? O meu povo esqueceu-se de mim por dias inumeráveis» (Jr 2,31-32). Queixa-se Deus e diz: por que dizeis, filhos meus, que não quereis mais recorrer a mim? Acaso tornei-me para vós terra estéril, que não dá fruto ou o dá muito tarde, e por isso há tanto tempo vos esquecestes de mim? Com estas palavras dá-nos a entender o seu desejo de que recorramos a ele, para poder dispensar-nos as suas graças. E ao mesmo tempo faz-nos saber que, quando o rogamos, ele não é tardio, mas logo começa a socorrer-nos.

Não, não dorme o Senhor, diz Davi, quando recorremos à sua bondade e lhe pedimos graças que são úteis às nossas almas: então ele de fato nos ouve, tendo grande cuidado do nosso bem: «Eis que não adormecerá, nem dormirá, o que guarda a Israel» (Sl 120,4). E, quando se trata de graças temporais, diz São Bernardo: «Ou dará o que pedimos, ou algo mais útil.» Ou nos concederá a graça desejada, sempre que for proveitosa à alma, ou nos dará uma graça mais útil, que será a graça de nos resignarmos à divina vontade e de sofrer com paciência aquela tribulação, que nos acrescentará grande mérito para o paraíso.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Sermoni compendiati per tutte le domeniche dell'anno (1771), Sermone II, para o Domingo II do Advento: «Dell'utilità delle tribolazioni» (introdução e pontos I e II), pp. 348-353 da paginação do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.