A Paixão de Jesus Cristo, nossa consolação
HB 12,3
«Considerai, pois, atentamente aquêle que sofreu tal contradição dos pecadores contra a sua pessoa: Para que não vos fatigueis, desfalecendo em vossos ânimos.»
SUMÁRIO
O Crucificado consola a alma no arrependimento, nas tribulações, nas doenças e na morte. Todas as graças de salvação procedem de sua Paixão.
Ponto I
Quem pode consolar-nos tanto, neste vale de lágrimas, quanto Jesus crucificado? Nos remorsos da consciência que a lembrança de nossos pecados nos faz sentir, quem poderá suavizar suas picadas, senão a certeza de que Jesus Cristo quis entregar-se à morte para pagar nossas culpas? «O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar dêste presente século mau, segundo a vontade de Deus, e Pai nosso.» (Gl 1,4).
Em todas as perseguições, calúnias, desprezos, privações de bens e honras que nos acontecem nesta vida, quem pode animar-nos melhor a suportá-las com paciência e resignação do que Jesus Cristo desprezado, caluniado e pobre, que morre nu e abandonado por todos numa cruz?
Nas doenças, quem mais nos consola do que a vista de Jesus crucificado? Quando adoecemos, encontramos um leito bem preparado. A Jesus, porém, quando padeceu na cruz em que morreu, não coube outro leito senão um madeiro tosco, no qual foi suspenso por três cravos; nem outra almofada para apoiar a cabeça aflita, senão aquela coroa de espinhos que continuou a atormentá-lo até expirar. Na doença, temos ao redor do leito parentes e amigos que se compadecem e nos distraem. Jesus morreu entre inimigos que, mesmo enquanto agonizava e se aproximava da morte, o injuriavam e escarneciam como malfeitor e sedutor.
Certamente nada pode aliviar mais uma pessoa enferma nas penas que sofre, especialmente quando se encontra abandonada, do que a vista de Jesus crucificado. Ah, unir então as próprias penas às de Jesus Cristo é o maior alívio que pode ter uma pobre pessoa enferma!
Nas maiores angústias da morte — os ataques do inferno, a visão dos pecados que cometi e da conta que logo terão de ser prestadas no tribunal divino —, a única consolação que pode ter a pessoa moribunda, já combatendo com a morte, é abraçar o Crucificado e dizer-lhe: Meu Jesus e Redentor, vós sois meu amor e minha esperança.
Em suma, tudo o que recebemos de Deus — graças, luzes, inspirações, santos desejos, afetos devotos, contrição pelos pecados, propósitos bons e amor a Deus e esperança do paraíso — são frutos e dons que nos vêm da Paixão de Jesus Cristo.
AFETOS E ORAÇÕES
Meu Jesus, que esperança poderia ter de contemplar a vossa bela face na pátria bem-aventurada, entre tantas virgens inocentes, santos mártires, Apóstolos e Serafins do céu, eu, que vos abandonei tantas vezes, merecendo a condenação infernal, Se não houvésseis morrido por mim, Salvador meu, e, pois, a vossa Paixão que, apesar dos meus pecados, me faz esperar chegar um dia, também eu, à companhia dos santos e da vossa santa Mãe, para cantar vossas misericórdias, render-vos graças e amar-vos eternamente no paraíso. Jesus meu, é essa a minha esperança. «Eu cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. Anunciarei a tua verdade pela minha bôca de geração em geração.» (Sl 88,2). Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim.

