Do zelo da salvação das almas que devem ter os religiosos
LC 12,49
«Eu vim trazer fogo à terra, e que quero eu senão que êle se acenda?»
SUMÁRIO
O zelo ardente pela salvação das almas é a nota distintiva da vocação religiosa e meio eficaz de assegurar a própria predestinação.
Ponto I
Quem é chamado a consagrar a sua vida na santa religião não será jamais autêntico discípulo de Jesus Cristo se não acolher com fervoroso empenho o fim principal de sua santa vocação, que consiste em trabalhar pela salvação das almas, mormente daquelas mais desprovidas de socorros espirituais. Esse foi o sublime desígnio que trouxe à terra o Redentor, o qual proclamou solenemente: O Espírito do Senhor me ungiu para evangelizar os pobres. E quando o Salvador quis interrogar a São Pedro se com efeito o amava mais do que os outros apóstolos, não lhe impôs mortificações extraordinárias ou longas penitências corporais, mas confiou-lhe este único encargo de caridade: «Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu amas-me? Ficou Pedro triste, porque terceira vez lhe perguntara: Tu amas-me? E respondeu-lhe: Senhor, tu conheces tudo: Tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.» (Jo 21,17). Declarou ademais o divino Mestre que considera feito a si próprio tudo o que se realiza em benefício espiritual do menor de nossos irmãos.
Ponto II
Cabe, portanto, a cada alma consagrada alimentar em alto grau esse zelo ardente pelo resgate espiritual do próximo, ordenando a esse propósito os seus estudos, suas orações e suas fadigas cotidianas. Não há glória mais sublime para a criatura do que tornar-se cooperadora de Deus, segundo a palavra de São Paulo, no ministério da salvação eterna. Quem ama ardentemente ao Senhor não se contenta em amá-lo isoladamente; anseia por atrair todas as almas ao amor divino, repetindo com o real profeta: «Engrandecei comigo ao Senhor: E exaltemos o seu nome todos à uma.» (Sl 33,4). É mui consolador o fundamento que possui para confiar em sua própria predestinação quem se despende generosamente pelas almas: quem salva uma alma, escreve Santo Agostinho, assegura a salvação de sua própria alma.
AFETOS E ORAÇÕES
Senhor Jesus Cristo, meu Redentor divino, como poderei render-vos ações de graças suficientes por me haverdes associado ao ministério de trabalhar pela eterna salvação das almas? Como merecia eu tão grande honra, após haver-vos ofendido tantas vezes e sido motivo de escândalo para outrem? Desejo servir-vos de hoje em diante com todas as minhas energias, oferecendo-vos os meus trabalhos, a minha liberdade e a própria vida para cumprir vossa adorável vontade. Não busco louvores de criaturas nem consolações passageiras, mas unicamente ver-vos conhecido e amado por todos os corações. Aceitai, bondoso Jesus, a oblação que vos faz este vosso servo; sustentai-me com vossa graça eficaz. Advogada minha, Maria Santíssima, que tanto zelais pela salvação dos pecadores, assisti-me em todas as minhas labutas.

