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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Da caridade fraterna

SEGUNDA-FEIRA, 5 DE ABRIL · ANUNCIAÇÃO DE NOSSA SENHORA

Da caridade fraterna

MC 12,31

«Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.»

SUMÁRIO

Não se pode amar verdadeiramente a Deus sem amar o próximo, pois o mesmo divino preceito prescreve ambos os deveres; todo bem praticado aos irmãos é acolhido por Cristo como dirigido à sua própria pessoa.

Ponto IO amor a Deus e o amor ao próximo brotam da mesma virtude

Ninguém possui a faculdade de consagrar sincero amor a Deus sem alimentar simultaneamente estima e afeição para com os seus semelhantes. A idêntica lei divina que nos prescreve o culto de Deus ordena-nos igualmente a consideração fraterna: «E nós temos de Deus este preceito: que quem ama a Deus ame igualmente a seu irmão» — adverte o bem-aventurado apóstolo (1 Jo 4,21). Por isso afirmou o Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, que de uma mesma raiz de amor celestial procedem indissoluvelmente a afeição rendida ao Criador e a caridade dispensada às criaturas, porquanto a graça nos move a amar tanto a Deus quanto aos homens em razão da própria vontade soberana de Deus.

Compreende-se perfeitamente, sob tal prisma, aquilo que narra São Jerônimo a respeito do apóstolo São João: quando seus discípulos lhe indagavam o motivo pelo qual recomendava com tamanha constância a prática do afeto mútuo, o venerando apóstolo costumava responder: «Porque é mandamento do Senhor, e se tão-somente este for cumprido, já basta para alcançar a eterna salvação». Santa Catarina de Gênova exprimia outrora em oração: «Senhor meu, mandais que eu ame os semelhantes, contudo sinto-me incapaz de devotar afeto fora de vós». E o divino Mestre dignou-se responder-lhe: «Minha serva, quem me ama verdadeiramente, estima tudo quanto é dileto a meu coração».

Ponto IIO bem prestado ao próximo é aceito por Jesus Cristo como feito a si mesmo

Quando alguém vota amizade autêntica a uma pessoa eminente, estende naturalmente essa benevolência aos seus parentes, familiares e até às suas lembranças; e por qual fundamento? Porque tais objetos são caros ao ser estimado. Da mesma forma, somos movidos a dedicar carinho aos nossos semelhantes porquanto cada alma humana foi resgatada pelo preciosíssimo sangue do Cordeiro imaculado.

Daí provém a severa admoestação de São João: faltaria com a verdade quem asseverasse amar a Deus enquanto conserva rancor ou ódio em seu íntimo contra o irmão. Ao revés, o compassivo Redentor solenemente asseverou que a compaixão dispensada ao mais pequenino dos necessitados é recebida como se prestada à sua própria majestade divina: «Em quanto fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mt 25,40). Dizia com acerto a mesma Santa Catarina que, para aferir o grau exato em que uma alma ama a Deus, convém observar com quanta paciência e generosidade acolhe o seu próximo.

AFETOS E ORAÇÕES

Ó meu Redentor amantíssimo, que pela vossa divina paixão destes aos homens o exemplo insigne da mansidão, compadecei-vos de minhas fraquezas passadas. Reconheço com amargura as ocasiões em que desatendi aos reclamos da concórdia e do afeto fraterno. Proponho firmemente, amparado por vosso favor, acolher com benevolência todo aquele que me desagradar e pagar as ofensas com orações e benefícios. — E vós, ó Mãe celestial da divina graça, ensinai-me a olhar os irmãos com os mesmos sentimentos compassivos de vosso puríssimo Coração.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: La vera sposa di Gesù Cristo (1760), Capo XII («Della carità del prossimo»), § 1, pp. 431-433. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.