Triunfa o amor
JO 13,1
«Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora, de passar dêste mundo ao Pai: Como tinha amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.»
SUMÁRIO
O amor infinito de Deus triunfou da própria majestade divina na Encarnação e na Eucaristia, exigindo a entrega irrestrita de nossos corações.
Ponto I
O nosso Deus é onipotente sobre todas as criaturas celestiais e terrestres: quem poderia jamais vencê-lo ou sujeitá-lo ao seu império? Todavia, exclama com santo assombro São Bernardo, a caridade para com os homens foi aquela força bendita que o venceu e fez triunfar o amor sobre a divina majestade: «Triumphat de Deo amor». Com efeito, o amor eterno induziu o Criador de todas as coisas não unicamente a nascer desvalido numa manjedoura e a expirar cravado sobre o infame patíbulo da cruz para resgatar o pecador, mas ainda a instituir o augusto Sacramento da Eucaristia, no qual se entrega diariamente a nós sem reservas, sem interesses próprios e com perpétua generosidade até à consumação dos séculos.
Ponto II
Se um Deus infinito se humilhou de modo tão admirável por nosso resgate, que razão haverá para que recusemos consagrar-lhe sem limites todo o nosso ser? Se ele se deu inteiramente a nós na Redenção e na Eucaristia, é suma justiça que lhe façamos a oblação irrestrita de nossa liberdade, de nossos afetos e de todas as faculdades de nossa alma, protestando que não desejamos mais viver para o mundo, mas unicamente para dar-lhe agrado no tempo e na eternidade. Ele merece um amor generoso, desprendido das vaidades passageiras da terra, que encontre na sua vontade o único consolo e repouso. Olhemos para o Crucifixo e perguntemos, com São Bernardo: Quem reduziu o soberano Senhor a tão extrema dor? Foi o amor que não poupa sofrimentos quando se empenha em salvar o ser amado.
AFETOS E ORAÇÕES
Dizei-me, meu amabilíssimo Jesus: já que por meu resgate padecestes tantas agonias e derramastes vosso sangue sobre a cruz, como poderei recusar-vos a inteira doação de minha vida? Pesa-me de haver passado tantos anos deslembrado de vossa caridade divina. Amo-vos, ó meu Deus e meu Sumo Bem, e entrego soberanamente à vossa disposição a minha vontade, os meus pensamentos, os meus sentidos e todo o meu coração. Consumi em mim, pelo fogo de vosso Espírito, tudo o que desagrada à vossa pureza imaculada. Fazei que eu viva unicamente para cumprir os vossos mandamentos e comprazer o vosso divino Coração. Virgem Imaculada, Maria, Mãe de Deus e esperança minha, apresentai este meu pobre obséquio perante o trono da Beatíssima Trindade e alcançai-me a fidelidade até à morte. Amém.

