Rezar

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

A parábola do fermento e os efeitos da graça santificante

DOMINGO, 14 DE FEVEREIRO · VI DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA

A parábola do fermento e os efeitos da graça santificante

MT 13,33

«Disse-lhes ainda outra parábola: O reino dos Céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma, e o esconde em três medidas de farinha, até que todo êle fica levedado.»

Ponto I

Diz o Senhor pelo profeta: «Se apartares o que é precioso do que é vil, serás como a minha boca» (Jr 15, 19). Aquele que aprende a discernir as grandezas eternas das misérias mundanas conforma-se a Deus, que reprova o mal e acolhe o soberano bem. Não compreendem os homens o preço inapreciável da graça celeste: «Não sabe o homem o seu preço» (Jó 28, 13). E por isso a trocam levianamente por uma fumaça de vanglória, por um punhado de pó ou por uma torpe satisfação dos sentidos; todavia, a graça é um manancial infinito de bens, que nos eleva à intimidade divina: «Porque ela é para os homens um tesouro infinito: do qual os que usaram foram feitos participantes da amizade de Deus» (Sb 7, 14). Assim, a alma justificada torna-se verdadeiramente amiga do Altíssimo. Os gentios, desprovidos da revelação sobrenatural, reputavam inconcebível que a criatura travasse amizade com a majestade divina, pois, segundo o ditado citado por São Jerônimo, a amizade ou encontra iguais ou os faz: «Amicitia pares aut accipit, aut facit». Contudo, Nosso Senhor dignou-Se declarar solenemente aos seus discípulos: «Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando» (Jo 15, 14); e acrescentou: «Já vos não chamarei servos... mas tenho-vos chamado amigos» (Jo 15, 15). Daí exclama São Gregório comovido: «Ó maravilhosa dignação da divina clemência! Não merecíamos o título de escravos, e somos chamados amigos de Deus!». Se qualquer mortal julgaria honra imensa desfrutar da familiaridade de um monarca da terra, quão maior glória não é possuir a amizade do Criador do universo? Narra Santo Agostinho que, lendo a vida de Santo Antão eremita, um cortesão do imperador sentiu o coração desprender-se do mundo e disse ao seu colega: «Que procuramos nós no serviço do imperador? Quando muito, alcançaremos a sua benevolência perecível, com grave risco da alma; mas se eu quiser ser amigo de Deus, posso sê-lo neste mesmo instante».

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Apparecchio alla morte (1758), Considerazione XIX («Che gran bene sia la grazia di Dio, e che male la disgrazia di Dio»), Punto I, pp. 177–180. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.