Da vida retirada
MC 6,31
«E êle lhes disse: Vinde, retirai-vos a algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que entravam e saíam: E não tinham tempo para comer.»
Ponto I
As almas que amam a Deus encontram seu paraíso numa vida de recolhimento, distante da convivência com as pessoas. Não, conversar com Deus, separando-se das criaturas, não traz amargura nem tédio: «Entrando em minha casa, acharei o meu descanso com ela: Porque a sua conversação não tem nada de desagradável, nem a sua companhia nada de fastidioso, mas o que nela se acha, é satisfação e prazer.» (Sb 8,16). As pessoas mundanas têm razão em fugir da solidão, pois, nela, sem os divertimentos ou negócios terrenos que as ocupam, os remorsos da consciência se fazem sentir mais fortemente no coração. Por isso procuram alívio, ou ao menos distração, na conversa com as pessoas. Quanto mais, porém, se esforçam por encontrar alívio entre as pessoas e negócios do mundo, mais espinhos e amarguras encontram.

