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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

A doçura da morte de quem vive na justiça

TERÇA-FEIRA, 8 DE MARÇO · TERÇA-FEIRA — FÉRIA DA QUARESMA

A doçura da morte de quem vive na justiça

SB 3,1

«Mas as almas dos justos estão na mão de Deus. e não os tocará o tormento da morte.»

Ponto I

A morte, considerada segundo os sentidos, assusta e faz-se temer; considerada segundo a fé, consola e faz-se desejar. Aparece terrível aos pecadores, mas mostra-se amável e preciosa aos santos: «Preciosa — diz São Bernardo — como termo dos trabalhos, consumação da vitória e porta da vida.» Termo dos trabalhos: sim, a morte põe fim às fadigas e aos sofrimentos. «O homem nascido da mulher, que vive breve tempo, é cercado de muitas misérias.» (Jó 14,1). Eis a nossa vida: é breve e inteiramente cheia de misérias, enfermidades, temores e paixões. Os mundanos que desejam longa vida, que outra coisa procuram, diz Sêneca, senão um tormento mais prolongado? «Pede-se, como vida, o prolongamento do suplício.» Que é continuar vivendo, senão continuar padecendo? Diz Santo Agostinho: «Que é viver longamente, senão ser longamente atormentado?» Sim, porque, segundo nos adverte Santo Ambrósio, a vida presente não nos foi dada para repousar, mas para trabalhar e, mediante os trabalhos, merecer a vida eterna: «Esta vida foi dada ao homem para o trabalho, não para o descanso.» Por isso bem diz Tertuliano que, quando Deus abrevia a vida de alguém, abrevia-lhe o tormento: «Deus suprime um longo tormento quando concede uma vida breve.»

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Apparecchio alla morte (1758), Consideração VIII, «Morte de’ giusti», ponto I inteiro e «Affetti e preghiere», pp. 69–72 do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.