Do fogo do inferno
IS 33, 14
«Qual de vós poderá habitar com o fogo devorante? Qual de vós habitará com os ardores sempiternos?»
Ponto I
O suplício que mais severamente flagela os sentidos externos do réprobo é o fogo infernal, por ferir o tato em toda a sua extensão. Por esse motivo o supremo Juiz faz dele expressa menção na sentença final: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno. Na presente vida a dor das queimaduras sobrepuja qualquer outra agressão física; todavia, pondera Santo Agostinho que, em confronto com a fornalha eterna, o nosso fogo terreno parece apenas pintado sobre a tela. E São Vicente Férrer acrescenta que a nossa chama se torna fria em paralelo àquela, visto que o fogo da terra foi criado para servir às utilidades do homem, ao passo que o do abismo foi aceso diretamente pela cólera da justiça divina para punir a rebelião das criaturas. Por isso Isaías o intitula espírito de ardor: o sopro inflamado do Altíssimo que castiga as iniquidades.

