Maria Santíssima conduz seus servos ao paraíso
PR 8, 35
«Aquele que me achar, achará a vida, e alcançará do Senhor a salvação.»
Ponto IA devoção a Maria, sinal de predestinação
Que magnífico penhor de eterna salvação possuem as almas consagradas ao serviço da Mãe de Deus! A Santa Igreja aplica com razão a esta excelsa Rainha as palavras da divina Sabedoria, fazendo-a proclamar para consolo dos seus devotos: «Em tudo busquei repouso e fixarei morada na herança do Senhor» (In omnibus requiem quaesivi et in hereditate Domini morabor). Como pondera o cardeal Hugo de São Caro, ditosa é a morada na qual a Santíssima Virgem encontra o seu descanso. Pela imensa caridade que nutre por todas as criaturas, Maria empenha-se em estabelecer em cada alma a sua devoção; todavia, muitos ou não a acolhem ou não perseveram nela. Bem-aventurada a pessoa que a recebe e zelosamente a conserva, porque a devoção à Virgem Santíssima reside unicamente naqueles que constituem a herança de Deus, isto é, que reinarão no paraíso para O bendizer eternamente. Prossegue a celestial Senhora no mesmo livro: «Aquele que me dá ouvidos não será confundido» (Qui audit me, non confundetur). De fato, jamais pereceu quem recorreu com sincero afeto a tão compassiva Mãe. A própria experiência de todos os séculos atesta que os fiéis operosos na sua honra e dedicados a inflamarem outros no seu amor preservam-se da desgraça do pecado e alcançam a bem-aventurança. Cumpre-se à risca a divina palavra: «Aquele que me achar, achará a vida, e alcançará do Senhor a salvação». Ao passo que afastar-se dela conduz à perdição, pois ninguém recebe socorro celeste senão pelas mãos virginais da Medianeira de todas as graças. Não cabe, portanto, atormentar a alma com disputas teológicas a respeito da predestinação anterior ou posterior à presciência dos méritos; quem serve fielmente a Maria traz impresso o selo dos predestinados e há de ver o seu nome escrito indelevelmente no livro da vida.

