Frutos da meditação de Jesus crucificado
CT 2,3
«Eu me assentei debaixo da sombra daquele, a quem tanto tinha desejado: E o seu fruto é doce à minha garganta.»
Ponto I
Almas devotas, procuremos entretanto imitar a Esposa dos Cantares quando dizia: «Assentei-me à sombra daquele a quem suspirava: e o seu fruto é doce ao meu paladar» (Ct 2, 3). Coloquemos com frequência diante dos olhos, mormente às sextas-feiras, Jesus moribundo no patíbulo da cruz; e detenhamo-nos ali enternecidamente a contemplar por algum espaço os Seus tormentos e a extrema afeição que nos consagrava, enquanto se achava em agonia naquele leito de sofrimento. Digamos nós igualmente: «Sob a sombra daquele que desejei me assentei». Oh! que repouso dulcíssimo encontram as almas que amam a Deus no meio das agitações desta vida passageira, nos assaltos do abismo e até mesmo nos temores dos juízos divinos, quando contemplam a sós, em recolhimento e silêncio, o amorável Salvador! Vê-lo agonizar sobre o madeiro sagrado, enquanto o Seu sangue adorável escorria aos poucos de todos os Seus membros já feridos e dilacerados pelos açoites, pelos espinhos e pelos cravos! Oh! como à vista de Jesus pregado à cruz desaparecem da mente todas as ambições de honras mundanas, o anseio das riquezas terrenas e as atrações dos prazeres dos sentidos! Exala-se então daquela cruz sagrada uma aura do céu, que desprende suavemente o coração dos apegos da terra e acende na vontade um desejo ardente de sofrer e expirar por amor Daquele que por nosso amor quis sofrer tormentos tão atrozes e entregar a própria vida.

