Vida desolada de Jesus Cristo
LM 2,13
«A quem te compararei? Ou a quem te assemelharei, filha de Jerusalém? A quem te igualarei, e como te consolarei, ó virgem filha de Sião? Porque grande é como o mar o teu desfalecimento: Quem te remediará?»
Ponto I
A vida de nosso amante Redentor foi toda desolada e privada de todo alívio. Foi a vida de Jesus aquele grande mar, inteiramente amargo, sem uma gota doce de consolação: «A quem te compararei? Ou a quem te assemelharei, filha de Jerusalém? A quem te igualarei, e como te consolarei, ó virgem filha de Sião? Porque grande é como o mar o teu desfalecimento: Quem te remediará?» (Lm 2,13). Foi o que o Senhor manifestou certa vez a Santa Margarida de Cortona, dizendo-lhe que, em toda a sua vida, nunca experimentara consolação sensível. Aquela tristeza que, no horto de Getsêmani, declarou chegar a ponto de bastar para lhe tirar a vida — «Disse-lhes então: A minha alma está numa tristeza mortal: Demorai-vos aqui, e vigiai comigo.» (Mt 26,38) — não o afligiu somente então: deixou-o sem consolo desde o primeiro instante da Encarnação. Todas as penas e ignomínias que deveria padecer até morrer estiveram sempre presentes aos seus olhos.

