O homem hidrópico e o cristão ambicioso
LC 14,11
«Porque todo o que se exalta, será humilhado, e todo o que se humilha, será exaltado.»
Ponto I
O divino Salvador assegurou no Evangelho que aos corações que se fazem pequenos e humildes na terra, suportando por seu amor as perseguições e desconsiderações humanas, está reservada uma abundosa recompensa nos céus. Além disso, as almas humildes encontram paz não unicamente na bem-aventurança futura, mas já durante esta peregrinação mortal. «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração», disse o Redentor, «Tomai sôbre vós meu jugo; e aprendei de mim que sou manso, e humilde de coração: E achareis descanso para as vossas almas.» (Mt 11,29). A pessoa soberba, ao contrário, nunca desfruta de verdadeira tranquilidade, porque jamais se considera honrada e estimada na medida em que sua vaidade desejaria; ainda que seja aplaudida pelo mundo, vive inquieta ao contemplar outros mais enaltecidos do que ela, e uma só consideração negada basta para amargurar-lhe todas as distinções que possui. Tal como sucedeu a Amã na corte da Pérsia, que se julgava desgraçado pelo simples fato de Mardoqueu não se prostrar à sua passagem.

