Jesus tratado como o último dos homens
IS 53,3
«Feito um objeto de desprêzo, e o último dos homens, um varão de dores, e experimentado nos trabalhos: E o seu rosto se achava como encoberto, e parecia desprezível, por onde nenhum caso fizemos dele»
Ponto I
«E subirá como arbusto diante dele, e como raiz que sai duma terra sequiosa: Ele não tem beleza, nem formosura, e vimo-lo, e não tinha parecença do que era, e por isso nós o estranhamos: Feito um objeto de desprêzo, e o último dos homens, um varão de dores, e experimentado nos trabalhos: E o seu rosto se achava como encoberto, e parecia desprezível, por onde nenhum caso fizemos dele» (Is 53,2–3). Viu-se esse grande prodígio: o Filho de Deus apareceu certo dia sobre a terra, Rei do céu e Senhor de todo o mundo, tratado com desprezo, como o mais abjeto dos homens. Diz Santo Anselmo que Jesus Cristo, nesta terra, quis ser tão desprezado e humilhado que os desprezos e humilhações não poderiam ser maiores do que os que recebeu. Foi tratado como homem rude: «Porventura não é êste o filho do carpinteiro? Não se chamava sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas:» (Mt 13,55). Foi desprezado por sua pátria: «E Natanael lhe disse: De Nazaré pode sair coisa que boa seja? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê.» (Jo 1,46). Foi considerado louco: «E muitos dêles diziam: Êle tem demônio, e está fora de si: Que o ouvis?» (Jo 10,20). Foi considerado glutão e amigo do vinho: «Veio o Filho do homem, que come e bebe, e vós dizeis: Vejam o homem glutão, e amigo de vinho, que acompanha com publicanos e pecadores.» (Lc 7,34). Como feiticeiro: «Porém os fariseus diziam: Êle em virtude do príncipe dos demônios lança fora os demônios.» (Mt 9,34). Como herege: «Responderam então os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem, que tu és um samaritano, e que tens demônio?» (Jo 8,48).

