Da eternidade do inferno
MT 25,46
«E irão êstes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.»
Ponto I
Se o inferno não fosse eterno, não seria inferno. Uma pena que não dura muito não é grande pena. Abre-se um abscesso numa pessoa enferma, cauteriza-se uma gangrena noutra: a dor é grande, mas, como termina em breve, não é grande tormento. Que pena seria, porém, se aquele corte ou aquela operação pelo fogo continuasse durante uma semana, durante um mês inteiro? Quando a pena é muito prolongada, ainda que leve, como uma dor de olhos ou de dentes, torna-se insuportável. Mas que digo, dor? Até uma comédia ou uma música que durasse demais, ou durante um dia inteiro, seria insuportável pelo tédio. E se durasse um mês? Um ano?

