O grande mal de perder a amizade de Deus
SB 14,9
«E Deus igualmente abor-rece ao ímpio, e a sua impiedade.»
Ponto I
Vejamos agora a miséria de uma alma que está privada da graça divina. Está separada do seu sumo bem, que é Deus. «Mas as vossas iniqüidades são as que fizeram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizeram esconder de vós a sua face, para que não ouvisse com atenção.» (Is 59,2). Assim, já não pertence a Deus, e Deus já não é seu: «E o Senhor disse a Oséias: Chama-lhe pelo seu nome Não meu povo: Porque vós não sois já meu povo e eu não serei mais vosso.» (Os 1,9). Não somente já não é seu, mas ele a aborrece e a condena ao inferno. O Senhor não odeia nenhuma de suas criaturas, nem mesmo as feras, as víboras e os sapos: «Porque tu amas todas as coisas que existem, e não aborreces nada ele quanto fizeste: Pois nenhuma estabeleceste. ou fizeste aborrecendo-a.» (Sb 11,25). Deus, porém, não pode deixar de aborrecer os pecadores. «Aborreces a todos os que obram a iniquidade: Perderás a todos os que preferem a mentira. O Senhor abominará o varão sanguinário e doloso:» (Sl 5,7). Pois Deus não pode deixar de odiar o pecado, inimigo inteiramente contrário à sua vontade; por isso, odiando o pecado, deve necessariamente aborrecer também o pecador unido ao pecado. «E Deus igualmente abor-rece ao ímpio, e a sua impiedade.» (Sb 14,9).

