Necessidade da mansidão e da humildade na vida religiosa
MT 11,29
«Tomai sôbre vós meu jugo; e aprendei de mim que sou manso, e humilde de coração: E achareis descanso para as vossas almas.»
Ponto I
O divino e amabilíssimo Redentor Jesus quis com predileção intitular-se Cordeiro para manifestar aos homens quão compassivo, manso e humilde era o seu Coração adorável. Foram precisamente essas virtudes santas que de modo eminente ordenou aos seus discípulos aprendessem de seu exemplo: «Tomai sôbre vós meu jugo; e aprendei de mim que sou manso, e humilde de coração: E achareis descanso para as vossas almas.» (Mt 11,29). E são essas mesmas disposições interiores que de modo singular exige das almas consagradas que fazem profissão de imitar os seus passos benditos. Quem habita na solidão dos desertos talvez não sinta necessidade tão contínua destas virtudes; mas quem convive fraternalmente sob o mesmo teto, é moralmente inevitável que receba em algum momento repreensões dos que governam ou contrariedades dos companheiros. Por conseguinte, quem não abraçar com sincero empenho a mansidão incorrerá em contínuas falhas e passará os dias em perene inquietação de ânimo. Importa ser todo afabilidade com todos — com os estranhos, com os iguais e com os inferiores —, sabendo que para quem obedece vale muito mais um só ato de serenidade em suportar uma repreensão ou desprezo do que praticar rigorosas penitências exteriores.

