Angústias do pecador moribundo
SL 139,12
«O varão maldizente não prosperará na terra: Do varão injusto se apoderarão os males da morte.»
Ponto I
Não será uma só angústia: serão muitas as aflições do pobre pecador à hora da morte. De um lado, os demônios o atormentarão. Naquele momento esses inimigos horrendos empregam todas as forças para perder a alma que está saindo desta vida. Sabem que pouco tempo lhes resta para conquistá-la; se a perderem então, tê-la-ão perdido para sempre. «Por isso, ó Céus, alegrai-vos, e vós os que habitais neles. Ai da terra e do mar, porque o diabo desceu a vós cheio duma grande ira, sabendo que lhe resta pouco tempo.» (Ap 12,12). Não será um único demônio a tentar: uma multidão estará junto da pessoa moribunda para levá-la à perdição. «Mas farão ali o seu covil as feras, e encher-se-ão as suas casas de dragões: E habitarão ali os avestruzes, e farão ali os peludos as suas danças:» (Is 13,21). Um lhe dirá: «Não temas, que recuperarás a saúde.» Outro: «Como? Durante tantos anos fechaste os ouvidos às vozes de Deus; agora ele vai usar de misericórdia contigo?» Outro: «Como podes reparar agora os danos que causaste e as reputações que destruíste?» Outro ainda: «Não vês que tuas confissões foram todas inválidas, sem verdadeiro arrependimento e propósito? Como poderás refazê-las agora?»

