As multidões famintas e a vaidade dos bens terrenos
MC 8,2
«Tenho compaixão dêste povo, porque, olhai, há já três dias que andam aturadamente comigo, e não têm que comer:»
Ponto I
Era tão grande o encanto de nosso divino Salvador, e tão doce a maneira como acolhia a todos, que as pessoas o seguiam aos milhares. Um dia viu-se cercado por uma grande multidão que o acompanhara durante três dias sem comer. Movido de compaixão, Jesus Cristo disse aos discípulos: «Tenho compaixão dêste povo, porque, olhai, há já três dias que andam aturadamente comigo, e não têm que comer:». Por isso realizou o milagre de multiplicar os sete pães e alguns peixinhos que ali havia, e saciou a todos. Este é o sentido literal. O sentido místico, porém, é que neste mundo não há alimento que sacie as nossas almas. Os bens terrenos — posses, honras, prazeres — atraem os sentidos do corpo, mas não podem saciar a alma, criada para Deus: somente Deus pode contentá-la. Quero, pois, falar-vos hoje da vaidade do mundo e mostrar quanto vivem enganados aqueles que o amam: levam uma vida infeliz nesta terra e se expõem ao grande perigo de levar depois uma vida ainda mais infeliz na eternidade.

