O vício da ira e o modo de o refrear
MT 5,22
«Pois eu digo-vos: Que todo o que se ira contra seu irmão, será réu no juízo. E o que disser a seu irmão: Raca, será réu no conselho: E o que lhe disser: És um tolo, será réu do fogo do inferno.»
Ponto IA ruína que a ira sem freio traz à alma
São Jerônimo diz que a cólera é a porta por onde todos os vícios entram na alma. Ela precipita a pessoa em vinganças, blasfêmias, injustiças, murmurações, escândalos e outras iniquidades. A paixão da ira obscurece a razão, levando a agir como um animal ou uma pessoa insensata. Jó dizia: «Escureceram-se de indignação meus olhos, e os meus membros foram como reduzidos a nada.» (Jó 17,7). Davi disse o mesmo: «Tem misericórdia de mim, Senhor, que estou atribulado: Conturbado com o pesar está o meu ôlho, a minha alma, e as minhas entranhas:» (Sl 30,10). São Boaventura escreveu que quem se encoleriza age às cegas, sem distinguir o justo do injusto. Em suma, São Jerônimo diz que a cólera faz perder prudência, razão e juízo, afastando de todo bom conselho, de modo que a pessoa parece enlouquecer enquanto se ira. São Tiago escreveu: «Porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus.» (Tg 1,20). As ações de quem está tomado pela ira não podem conformar-se à justiça divina nem, consequentemente, ficar isentas de culpa.

