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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

O corpo no sepulcro

SEGUNDA-FEIRA, 24 DE MAIO · SEGUNDA-FEIRA — FÉRIA DEPOIS DE PENTECOSTES

O corpo no sepulcro

IS 14,11

«Arrastada foi a tua soberba até aos infernos, caiu por terra o teu cadáver: Debaixo de ti se estenderá por cama a polilha, e a tua coberta serão os bichos.»

Ponto I

Para melhor compreender o que és, diz São João Crisóstomo: «Vai ao sepulcro, contempla o pó, as cinzas, os vermes e suspira.» Repara como aquele cadáver primeiro amarelece e depois escurece. Uma penugem branca e repugnante aparece sobre o corpo inteiro; em seguida, escorre para o chão uma matéria viscosa e malcheirosa. Nessa podridão surge uma multidão de vermes que se alimentam das próprias carnes. Também os ratos vêm devorá-lo, alguns por fora, outros entrando pela boca e pelas entranhas. As faces, os lábios e os cabelos caem em pedaços. Primeiro ficam descobertas as costelas, depois os braços e as pernas. Consumidas todas as carnes, os próprios vermes desaparecem. Por fim, daquele corpo resta somente um esqueleto fétido; com o tempo, ele se desfaz, os ossos se separam e a cabeça cai do tronco. «Então se quebraram, tudo a um tempo, o ferro e o barro, o cobre, a prata, e o ouro, e ficaram reduzidos como a miúda palha, que o vento leva fora ela eira cm tempo do estio: E eles desapareceram de todo o lugar: Mas a pedra que tinha dado na estátua, fez-se um grande monte, que encheu toda a terra.» (Dn 2,35). Eis o que é o homem: um pouco de pó que o vento carrega da eira.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Apparecchio alla morte (1758), Considerazione I, «Ritratto d’un uomo da poco tempo passato all’altra vita», Punto II e «Affetti e preghiere», pp. 13–15 do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.