O corpo no sepulcro
IS 14,11
«Arrastada foi a tua soberba até aos infernos, caiu por terra o teu cadáver: Debaixo de ti se estenderá por cama a polilha, e a tua coberta serão os bichos.»
Ponto I
Para melhor compreender o que és, diz São João Crisóstomo: «Vai ao sepulcro, contempla o pó, as cinzas, os vermes e suspira.» Repara como aquele cadáver primeiro amarelece e depois escurece. Uma penugem branca e repugnante aparece sobre o corpo inteiro; em seguida, escorre para o chão uma matéria viscosa e malcheirosa. Nessa podridão surge uma multidão de vermes que se alimentam das próprias carnes. Também os ratos vêm devorá-lo, alguns por fora, outros entrando pela boca e pelas entranhas. As faces, os lábios e os cabelos caem em pedaços. Primeiro ficam descobertas as costelas, depois os braços e as pernas. Consumidas todas as carnes, os próprios vermes desaparecem. Por fim, daquele corpo resta somente um esqueleto fétido; com o tempo, ele se desfaz, os ossos se separam e a cabeça cai do tronco. «Então se quebraram, tudo a um tempo, o ferro e o barro, o cobre, a prata, e o ouro, e ficaram reduzidos como a miúda palha, que o vento leva fora ela eira cm tempo do estio: E eles desapareceram de todo o lugar: Mas a pedra que tinha dado na estátua, fez-se um grande monte, que encheu toda a terra.» (Dn 2,35). Eis o que é o homem: um pouco de pó que o vento carrega da eira.

