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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

O amor que o Filho de Deus nos mostrou na Redenção

QUARTA-FEIRA, 13 DE DEZEMBRO · SANTA LUZIA

O amor que o Filho de Deus nos mostrou na Redenção

EF 5,2

«Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós.»

SUMÁRIO

O Verbo Divino, sendo infinitamente feliz em si mesmo, nada ganha com a salvação dos homens nem nada perde com a sua ruína. Não obstante, amou-nos com tal generosidade que se entregou à morte por nós, mostrando quanto preza o nosso coração.

Ponto I

Considerai que o Verbo eterno é aquele Deus cuja felicidade em si mesmo é infinita e não pode crescer: a salvação de todos os homens nada poderia acrescentar-lhe nem diminuir-lhe. Entretanto, tanto fez e sofreu para salvar a nós, vermes miseráveis, que, se a sua bem-aventurança dependesse da felicidade humana, como diz São Tomás, não poderia fazer ou sofrer mais: como se sem o homem não pudesse ser feliz. Com efeito, se Jesus Cristo não pudesse alcançar a felicidade sem nos remir, como haveria de humilhar-se mais do que se humilhou? Tomou sobre si as nossas enfermidades, a condição baixa da infância, as misérias da existência humana e uma morte tão cruel e vergonhosa.

Somente Deus era capaz de amar com semelhante excesso a nós, pobres pecadores, tão indignos de amor. Diz um autor devoto que, se Jesus Cristo nos permitisse pedir-lhe as maiores provas do seu amor, quem ousaria solicitar que se tornasse criança como nós, que se revestisse de todas as nossas misérias e, ainda, se fizesse o mais pobre, o mais desprezado e o mais maltratado entre todos os homens? Quem lhe pediria que morresse às mãos de algozes, sob tormentos, em patíbulo infame, amaldiçoado e desamparado por todos, até pelo próprio Pai, que abandona o Filho para não nos abandonar em nossa ruína?

Aquilo que nem sequer teríamos coragem de imaginar, o Filho de Deus concebeu e realizou. Desde menino se ofereceu por nós às dores, aos insultos e à morte: «Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós-outros». Amou-nos e, por amor, deu-nos a si mesmo, para que, oferecendo-o ao Pai como vítima em satisfação de nossas dívidas, possamos obter da bondade divina, pelos seus merecimentos, todas as graças que desejamos. Esta vítima é mais preciosa ao Pai do que seriam as vidas da humanidade inteira e de todos os espíritos angélicos, se lhe fossem oferecidas. Apresentemos, portanto, continuamente a Deus os merecimentos de Jesus Cristo; por eles peçamos e esperemos todo bem.

AFETOS E ORAÇÕES

Meu Jesus, faria grande injustiça à vossa misericórdia e ao vosso amor se, depois de tantas provas do afeto que me tendes e do desejo que tendes de salvar-me, eu desconfiasse da vossa piedade e caridade. Redentor amado, sou um pobre pecador; mas declarastes que viestes procurar precisamente os pecadores: «Porquanto eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores». Sou uma alma enferma; mas viestes curar os enfermos, dizendo: «Os que se acham sãos não necessitam de médico, mas os que estão enfermos». Meus pecados me perderam; mas viestes salvar o que se perdera.

Que poderei, então, recear, se quero emendar-me e pertencer-vos? Devo temer apenas a mim e à minha fraqueza; porém a minha debilidade e pobreza devem aumentar a confiança em vós, que vos declarastes refúgio de quem é pobre e prometestes atender aos seus desejos. Esta graça vos peço, meu Jesus: dai-me confiança nos vossos merecimentos e fazei que por eles sempre me recomende a Deus.

Pai eterno, pelo amor de Jesus Cristo, livrai-me do inferno e, antes de tudo, do pecado. Pelos merecimentos deste Filho, dai-me luz para seguir a vossa vontade, força contra as tentações e o dom do vosso santo amor. Sobretudo vos suplico a graça de sempre pedir o vosso auxílio por amor de Jesus Cristo, que prometeu que concederíeis a quem vos invocasse em seu nome tudo quanto pedisse. Se perseverar nesta oração, certamente me salvarei; se deixar de fazê-la, certamente me perderei. Maria Santíssima, alcançai-me esta grande graça da oração: perseverar em recomendar-me sempre a Deus e também a vós, que dele obtendes tudo quanto desejais.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Meditazioni per li giorni dell'Avvento sino alla novena della nascita di Gesù Cristo (1758), Meditazione IX («Dilexit nos et tradidit semetipsum pro nobis») e «Affetti e preghiere» (_P2JM.HTM), pp. 158-160 da paginação do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.