Amor de Jesus na instituição do Santíssimo Sacramento, antes de ir morrer
1 COR 11,23
«Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão,»
SUMÁRIO
Na instituição da sagrada Eucaristia, Jesus manifestou o excesso do seu amor dando-se a nós em alimento, e expressou o ardente anelo de unir-se intimamente às nossas almas.
Ponto I
Consideremos em primeiro lugar a imensa caridade que Nosso Senhor Jesus Cristo nos testemunhou ao legar-nos este augusto sacramento. A instituição da santíssima Eucaristia foi obra nascida unicamente do amor divino. Para consumar a redenção do gênero humano bastava, segundo o conselho eterno de Deus, que o Salvador entregasse sua vida e mediante o holocausto da cruz satisfizesse a divina justiça por nossas culpas; que necessidade, porém, havia de que, após a sua morte, ele próprio permanecesse entre nós para fazer-se nosso sustento espiritual? Nenhuma, a não ser a força irresistível de sua caridade.
Por nenhum outro motivo, ensina São Lourenço Justiniano, instituiu o Senhor este sacramento de amor, senão para dar aos homens uma prova patente de sua sublime benevolência. É isso precisamente o que atesta o apóstolo São João: «Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora, de passar dêste mundo ao Pai: Como tinha amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» (Jo 13,1). Vendo avizinhar-se o momento de sua dolorosa partida, quis conceder-nos o penhor mais enternecedor de sua afeição, doando-se a si mesmo de maneira contínua aos nossos corações.
Ponto II
Consideremos em segundo lugar o ardentíssimo desejo com que o Redentor suspira por vir à nossa alma na sagrada comunhão. «Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora, de passar dêste mundo ao Pai: Como tinha amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» (Jo 13,1). Como podia o divino Mestre considerar sua hora aquela noite tenebrosa na qual devia ter início a sua cruel agonia? Chamou-a sua hora predileta porque nela devia consumar a doação da Eucaristia, unindo-se intimamente aos seus fiéis seguidores. Esse ardor o levou a exclamar no cenáculo: «E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha Paixão.» (Lc 22,15).
Estas palavras revelam a imensa sede que o Salvador nutria de congregar-se com cada pessoa mediante a sagrada comunhão. Voz de amor perfeitíssimo e incandescente, comenta São Lourenço Justiniano. E quis velar sua divina majestade sob os acidentes vulgares do pão a fim de que qualquer vivente, sem distinção de riqueza ou classe, pudesse dele aproximar-se e recebê-lo sem temor. Por meio de múltiplos convites, promessas celestiais e salutares advertências exorta-nos a nos alimentarmos com frequência desse Pão dos Anjos, para que conservemos em nós a graça santificante e alcancemos o dom da bem-aventurança eterna.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó Salvador amante de nossas almas, não vos restava inventar mais prova de afeição para persuadir-nos de vosso infinito amor. Que podíeis ter feito que não fizésseis para arrebatar nossos corações? Concedei-me, Bondade soberana, a graça de corresponder doravante a tanta ternura amando-vos com todas as veras de meu espírito. Quem terá direito ao afeto de meu coração senão vós, meu Deus, que destes a vida por minha salvação e ainda vos ofereceis a mim em comunhão? Fazei que eu me recorde sempre de vossa caridade para esquecer as seduções mundanas e acolher unicamente a vós. Desterrai de meu peito todos os apegos desordenados. Jesus meu, sede o único termo de minhas aspirações. Maria, Mãe amável, ensinai-me a amar vosso divino Filho e rogai por mim.

