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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Maria Santíssima, modelo de castidade

SÁBADO, 10 DE JUNHO · TÊMPORAS DE PENTECOSTES — SÁBADO

Maria Santíssima, modelo de castidade

CT 2,2

«Bem como é a açucena entre os espinhos; assim é a minha amiga entre as filhas.»

SUMÁRIO

Maria é o modelo da castidade; mortificação, fuga das ocasiões e oração são os meios indicados pelo autor para conservar essa virtude.

Ponto I

Depois da queda de Adão, os sentidos se rebelaram contra a razão, e a castidade tornou-se a virtude mais difícil de praticar. Santo Agostinho diz: «Entre todos os combates, os da castidade são os mais duros: a luta é diária e rara é a vitória.» Seja, contudo, sempre louvado o Senhor, que nos deu em Maria um grande exemplo dessa virtude. Com razão, diz o bem-aventurado Alberto Magno, Maria é chamada Virgem das virgens: foi a primeira a oferecer a Deus sua virgindade, sem conselho nem exemplo de outra pessoa; depois deu-lhe todas as virgens que a imitaram. «Virgem das virgens, que sem conselho e sem exemplo ofereceu a Deus o dom da virgindade e, por sua imitação, fez brotar todas as virgens.» Davi já o predissera: «Tôda vestida de vários adornos. Serão apresentadas ao rei virgens após ela: As suas companheiras te serão conduzidas. Serão conduzidas com alegria e com regozijo: Conduzi-las-ão ao templo do rei.» (Sl 44,15–16). Sem conselho e sem exemplo, sim, pois São Bernardo lhe pergunta: «Virgem, quem vos ensinou a agradar a Deus pela virgindade e a levar na terra uma vida angélica?»

Sofrônio responde que Deus escolheu por Mãe essa Virgem puríssima justamente para que fosse exemplo de castidade para todos: «Cristo escolheu uma Mãe virgem para que ela fosse para todos exemplo de castidade.» Por isso Santo Ambrósio chama Maria de porta-estandarte da virgindade: «Ela ergueu o estandarte da virgindade.» Por sua pureza, o Espírito Santo chamou-a bela como a rola: «As tuas faces têm toda a lindeza assim como a da rôla: O teu pescoço a dos mais ricos colares.» (Ct 1,9). Apônio comenta: «Maria, rola castíssima.» Também foi chamada lírio: «Bem como é a açucena entre os espinhos; assim é a minha amiga entre as filhas.» (Ct 2,2). São Dionísio Cartuxo observa que foi denominada lírio entre espinhos porque «todas as outras virgens foram espinhos para si ou para outras pessoas; a bem-aventurada Virgem não o foi para ninguém».

A simples visão de Maria inspirava pensamentos e afetos de pureza: «Convidava à castidade os corações de quem a contemplava.» São Tomás o confirma: «A beleza da bem-aventurada Virgem despertava para a castidade aqueles que a viam.» São Jerônimo afirma julgar que São José permaneceu virgem pela companhia de Maria. Contra o herege Helvídio, que negava a virgindade dela, escreveu: «Dizes que Maria não permaneceu virgem; eu reivindico ainda mais: que o próprio José foi virgem por Maria.» Um autor diz que a bem-aventurada Virgem amava tanto essa virtude que, para conservá-la, teria estado pronta a renunciar até à dignidade de Mãe de Deus. Isso se deduz da resposta que deu ao arcanjo: «E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, pois eu não conheço varão?» (Lc 1,34), e das palavras que acrescentou ao fim: «Então disse Maria: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo se apartou dela.» (Lc 1,38). Assim dava seu consentimento segundo a garantia do anjo: seria mãe unicamente pela operação do Espírito Santo.

Santo Ambrósio diz: «Quem conserva a castidade é anjo; quem a perde é demônio.» Quem vive castamente torna-se como os anjos, conforme a palavra do Senhor: «Porque depois da ressurreição, nem as mulheres terão maridos, nem os maridos mulheres: Mas serão como os Anjos de Deus no Céu.» (Mt 22,30). Mas quem pratica a desonestidade torna-se odioso a Deus, como os demônios. São Remígio dizia que a maior parte dos adultos se perde por esse vício. A vitória sobre ele é rara, como se disse com Santo Agostinho no princípio. Por que rara? Porque não se empregam os meios de vencer. Com Belarmino, os mestres da vida espiritual indicam três meios: jejum, afastamento dos perigos e oração.

Por jejum entende-se a mortificação, sobretudo dos olhos e da gula. Embora estivesse cheia de graça divina, Maria Santíssima mortificava tanto os olhos que os mantinha sempre baixos e nunca os fixava em ninguém, segundo Santo Epifânio e São João Damasceno. Dizem que, desde criança, sua modéstia causava admiração a todos. São Lucas observa, por isso, que foi visitar Santa Isabel com pressa, para ser menos vista em público. Quanto ao alimento, Filiberto conta que foi revelado a um eremita chamado Félix que, ainda criança, Maria tomava leite uma vez por dia. São Gregório de Tours atesta que ela jejuou durante toda a vida: «Maria nunca deixou de jejuar.» São Boaventura afirma: «Maria nunca teria encontrado tamanha graça se não tivesse sido muito temperante na comida, pois graça e gula não se suportam mutuamente.» Em suma, Maria foi mortificada em tudo; por isso se disse dela: «Eu me levantei para abrir ao meu amado: As minhas mãos distilaram mirra, e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa.» (Ct 5,5).

O segundo meio consiste em fugir das ocasiões: «Aquêle que se faz responsável por um estranho, cairá na desventura: Mas o que evita os laços, estará em segurança.» (Pr 11,15). São Filipe Néri dizia: Na guerra dos sentidos vencem os covardes, isto é, quem foge da ocasião. Maria evitava quanto podia a vista dos homens. Por isso São Lucas observa que, ao visitar Santa Isabel, partiu apressadamente para as montanhas. Um autor nota que a Virgem deixou Isabel antes que ela desse à luz. Deduz isso do Evangelho: «E ficou Maria com Isabel perto de três meses: Depois dos quais voltou para sua casa. Mas a Isabel se lhe chegou o tempo de dar à luz e teve um filho.» (Lc 1,56–57). Por que não esperou o nascimento? Para evitar as conversas e visitas que ocorreriam naquela casa por ocasião do parto.

O terceiro meio é a oração. O Sábio diz: «E como eu sabia que de outra maneira não podia ter continência, se Deus ma não desse, e isto era já um efeito da sabedoria, saber eu de quem havia de receber este dom: Encaminhei-me ao Senhor, e fiz-lhe a minha súplica, e disse-lhe de todo o meu coração.» (Sb 8,21). A Santa Virgem revelou a Santa Isabel beneditina que não alcançou virtude alguma sem esforço e oração contínua. O Damasceno diz que Maria «é pura e ama a pureza»; por isso não suporta a impureza. Quem, porém, recorre a ela será certamente libertado desse vício, bastando invocar seu nome com confiança. O venerável João de Ávila dizia que muitas pessoas tentadas contra a castidade venceram apenas pelo afeto a Maria Imaculada.

AFETOS E ORAÇÕES

Maria, pomba puríssima, quantas almas estão no inferno por esse vício! Senhora, livrai-nos dele. Fazei que, nas tentações, sempre vos procuremos e vos invoquemos, dizendo: Maria, Maria, ajudai-nos. Amém.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Le glorie di Maria (1750), Parte II, «Delle virtù di Maria Santissima», § 6, «Della castità di Maria», seção inteira e oração, pp. 616–622 do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.