Felicidade de quem se conforma com a vontade de Deus
JÓ 22, 21
«Acomoda-te pois a ele, e tem paz: e por isso colherás ótimos frutos.»
SUMÁRIO
Toda a perfeição da vida espiritual consiste em amar a Deus, e a perfeição da caridade cifra-se na união indefectível de nossa vontade à divina em todas as circunstâncias da existência.
Ponto IA essência do amor é a conformidade da vontade
A nossa salvação e a perfeição cristã consistem inteiramente no amor de Deus: «Quem não ama, permanece na morte» (1 Jo 3, 14); «A caridade é o vínculo da perfeição» (Cl 3, 14). Todavia, a plenitude do amor realiza-se quando unimos a nossa vontade à soberana vontade do Criador, visto que o efeito primordial do amor autêntico, como ensina Dionísio Areopagita, é congregar as vontades dos que se amam até formarem um só coração e um mesmo querer. As nossas boas obras, jejuns, esmolas e comunhões agradam a Deus unicamente na medida em que concordam com a sua beneplácita vontade; fora disso tornam-se defeituosas e desprovidas de valor sobrenatural. Foi precisamente esta conformidade que o Divino Redentor desceu dos céus para nos ensinar com seu exemplo: «Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou» (Jo 6, 38). E na sua paixão quis que o mundo reconhecesse o seu amor ao Pai pela sua obediência até a morte de cruz: «Para que conheça o mundo que amo o Pai, e que assim como o Pai me deu ordem, assim faço» (Jo 14, 31).
Ponto IIO único anelo das almas santas
O cumprimento fiel do querer divino constituiu em todos os tempos a aspiração constante dos santos. Dizia o Beato Henrique Suso: «Prefiro ser o verme mais vil da terra com a vontade de Deus a ser um Serafim com a minha». Santa Teresa acrescentava: «A meta primordial de quem se dedica à oração deve ser conformar a sua vontade à de Deus; nisso repousa a mais alta perfeição». No Céu os bem-aventurados amam perfeitamente o Altíssimo precisamente porque estão inteiramente unificados à sua soberana vontade. Por isso Cristo ensinou-nos a implorar: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. Quem cumpre a vontade de Deus torna-se alma segundo o coração de Deus, como foi Davi, que repetia confiante: «Está preparado o meu coração, ó Deus, está preparado o meu coração» (Sl 56, 8). Um único ato de perfeito abandono na vontade divina basta para fazer santidade sublime, como em São Paulo ao exclamar no momento de sua conversão: «Senhor, que quereis que eu faça?» (At 9, 6). Dizia o Venerável João de Ávila: Vale mais um «bendito seja Deus» pronunciado nas adversidades do que milhares de agradecimentos nas situações favoráveis.
AFETOS E ORAÇÕES
Ah meu Deus, reconheço com profunda dor que toda a minha ruína passada proveio de querer seguir os meus próprios caprichos e afastar-me de vossa lei santíssima. Detesto de todo o coração as minhas desobediências e arrependo-me de haver contrariado a vossa santa vontade. De ora em diante quero entregar-me inteiramente a Vós. Fazei de mim e de tudo quanto me pertence o que for do vosso agrado; aceito com submissão a saúde e a enfermidade, a honra e o desprezo, a abundância e a penúria. Ensinai-me a cumprir sempre a vossa santa vontade, ó meu Jesus e único amor de minha alma. Ó Rainha dos Anjos, Maria, que fostes a escrava humilde do Senhor e sempre realizastes com perfeição o querer divino, impetrai-me a graça de viver e morrer perfeitamente submisso aos desígnios de Deus.

