Quinta-feira Santa: o dia do amor
JO 13,1
«Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora, de passar dêste mundo ao Pai: Como tinha amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.»
SUMÁRIO
Na noite da sua entrega, Jesus deixa a Eucaristia como penhor supremo de amor. A alma responde com contrição e pede a graça de amar somente a Deus.
Ponto I
«Antes do dia da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora, de passar dêste mundo ao Pai: Como tinha amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim.» (Jo 13,1). Sabendo Jesus que chegara a hora da sua morte, quis, antes de morrer, deixar-nos o maior sinal que podia dar do seu afeto: foi esse o dom do Santíssimo Sacramento. «Amou-os até ao fim», explica São João Crisóstomo, significa que os amou com extremo amor. Amou então os homens com o maior amor com que podia amá-los, dando-lhes a si mesmo inteiramente.
Mas em que tempo Jesus instituiu esse grande Sacramento, deixando-nos a si mesmo? Na noite que precedeu a sua morte: «Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão,» (1 Cor 11,23). «e dando graças, o partiu, e disse: Recebei, e comei: Êste é o meu corpo, que será entregue por amor de vós: Fazei isto em memória de mim.» (1 Cor 11,24). Enquanto os homens se preparavam para lhe dar a morte, ele quis mostrar-lhes essa última prova do seu amor. Os sinais de afeto que os amigos nos dão no momento da morte ficam mais profundamente impressos no nosso coração; com esse fim Jesus quis, pouco antes de morrer, deixar-nos esse dom do Sacramento.
Com razão, portanto, São Tomás chamou esse dom Sacramento e penhor de amor: «Sacramento da caridade, penhor da caridade»; e São Bernardo chamou-o amor dos amores, porque neste Sacramento Jesus Cristo reuniu e completou todas as outras delicadezas de amor que nos mostrara. Por isso Santa Maria Madalena de Pazzi dava ao dia da instituição desse Sacramento por Jesus o nome de «o dia do amor».
AFETOS E ORAÇÕES
Ó amor infinito de Jesus, digno de ser amado com outro amor infinito! Vós, meu Senhor, sois tão enamorado dos homens; como podem depois os homens ter tão pouco amor por vós? Que mais deveis fazer para que eles vos amem? Ah, meu Jesus, sois tão amável e tão amante: fazei-vos conhecer e fazei-vos amar. Quando vos amarei como me amastes? Mostrai-me sempre mais as grandezas da vossa bondade, para que eu arda por vós com amor cada vez maior e me empregue em vos agradar.
Ó delícia da minha alma, se eu vos tivesse amado sempre! Ai, houve um tempo em que não só deixei de vos amar, mas desprezei a vossa graça e o vosso amor. Consola-me a dor que disso sinto, e espero o perdão pela vossa promessa de perdoar a quem se arrepende. Para vós, meu Salvador, volto todos os meus afetos. Pelos merecimentos da vossa Paixão, auxiliai-me a vos dedicar todo o amor de que sou capaz. Quem me dera entregar a vida por vós, que pela minha salvação entregastes a vossa! Ó Maria, Mãe de Deus, alcançai-me a graça de, daqui em diante, não amar outro objeto senão a Deus.

