O amor de Jesus Cristo ao dar-se a nós como alimento
OS 11,4
«Eu os atraí com as cordas com que se atraem os homens, com as prisões da caridade: E serei para eles como quem tira o jugo de cima dos seus queixos: E eu lhes fiz baixar o mantimento, para que comessem.»
SUMÁRIO
O Senhor, que já ofereceu a vida por nós, entrega-nos na Eucaristia o corpo, juntamente com a alma e a divindade; nada reserva para si.
Ponto I
O amor de Jesus Cristo não se deu por satisfeito ao sacrificar por nós a sua vida divina em meio a um mar de desonras e sofrimentos, para nos manifestar o afeto que nos tinha. Além disso, para nos mover ainda mais a amá-lo, quis, na noite anterior à sua morte, deixar-nos a si mesmo inteiramente como alimento na santa Eucaristia. Deus é onipotente; mas, depois de conceder-se neste Sacramento de amor a uma alma, já não tem mais o que lhe dar. Diz o Concílio de Trento que Jesus, ao dar-se a nós na santa Comunhão, neste dom como que derramou todas as riquezas do seu amor infinito: «Como que derramou as riquezas do seu amor pelos homens» (sessão XIII, capítulo II).
Escreve São Francisco de Sales: quão honrado se consideraria aquele vassalo cujo príncipe, estando à mesa, enviasse uma porção do seu próprio prato! E que seria se essa porção fosse um pedaço arrancado do seu braço? Jesus, na Comunhão, oferece-nos como alimento não apenas uma parte da sua refeição ou das suas carnes sacrossantas, mas o seu corpo inteiro: «Estando êles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e benzeu-o e partiu-o e deu-o aos seus discípulos, e disse: Tomai, e comei, êste é o meu corpo.» (Mt 26,26). Ao dom de seu corpo une também o de sua alma e de sua divindade. Por isso diz São João Crisóstomo que, dando-se o Senhor a si mesmo no Sacramento, nos dá tudo quanto possui e já nada lhe resta para nos dar: «Deu-vos tudo; nada reservou para si.» Ó maravilha e prodígio do amor divino! Aquele Deus, Senhor de tudo, torna-se inteiramente nosso!
AFETOS E ORAÇÕES
Ó meu querido Jesus, que vos resta fazer para que vos amemos? Fazei-nos compreender que excesso de amor foi esse: tornar-vos alimento, para poderdes assim unir-vos a nós, pobres pecadores. Portanto, meu Redentor, tivestes tanto afeto por mim que repetidas vezes não recusastes entregar-vos inteiramente a mim na santa Comunhão; e eu tive ânimo de expulsar-vos tantas vezes da minha alma? Mas vós não sabeis desprezar um coração humilhado e arrependido. Fizestes-vos homem por mim, morrestes por mim, chegastes a tornar-vos meu alimento; e que mais vos restava fazer para conquistar o meu amor?
Oh, pudesse eu morrer de pesar sempre que recordo haver desse modo aviltado a vossa graça! Arrependo-me, meu amor, de todo o coração, de vos haver ofendido. Ó bondade infinita, eu vos amo; ó amor infinito, eu vos amo. Nada desejo senão amar-vos, e receio somente uma vida sem o vosso amor. Jesus, meu amado Senhor, não me negueis novas visitas à minha alma. Vinde, pois prefiro morrer mil vezes a tornar a expulsar-vos, e quero fazer quanto puder para vos agradar. Vinde e abrasai-me inteiramente no vosso amor. Dai-me o esquecimento de todas as coisas, para pensar e aspirar somente a vós, meu sumo e único bem. Ó Maria, minha Mãe, rogai por mim e, pelas vossas preces, tornai-me agradecido a tão grande amor do meu Jesus.

