O pecador expulsa Deus do coração
JÓ 21,14
«Estes são os que disseram a Deus: Retira-te de nós, pois nós não queremos conhecer os teus caminhos.»
SUMÁRIO
O pecado mortal rejeita a presença divina; a contrição pede para não voltar a abandoná-la.
Ponto I
Cada alma que ama a Deus é amada por ele. Deus habita nela e não deixa de habitá-la enquanto ela não o expulsar pelo pecado. Não abandona, a não ser que seja abandonado, como diz o Concílio de Trento. Quando a alma consente deliberadamente no pecado mortal, expulsa Deus de si e de certo modo lhe diz: Senhor, afastai-vos de mim; já não vos quero comigo. «Estes são os que disseram a Deus: Retira-te de nós».
Meu Deus, ao pecar tive coragem de expulsar-vos da alma e de já não querer-vos comigo! Mas não quereis que desespere: quereis que me arrependa e vos ame. Sim, Jesus meu, pesa-me a ofensa que vos fiz, e eu vos amo sobre todas as coisas.
Ponto II
Quem peca sabe que Deus não pode habitar junto com o pecado. Deus deve, pois, necessariamente sair daquela alma em que entra o pecado. Assim, ao cometê-lo, a pessoa diz a Deus: Já que não podeis continuar comigo e quereis retirar-vos se não deixar de pecar, retirai-vos; prefiro perder-vos a perder o prazer do meu pecado. No mesmo instante em que a alma expulsa Deus, o demônio entra para tomar posse dela. Eis como a pessoa expulsa seu Deus, que a ama, e torna-se escrava de um tirano que a odeia.
Senhor, foi assim que procedi no passado. Dai-me parte do horror que sentistes no Horto de Getsêmani por minhas iniquidades. Meu querido Redentor, pudera eu nunca vos ter ofendido!
Ponto III
Ao batizar uma criança, o sacerdote manda ao demônio sair daquela alma, dizendo: Sai, espírito imundo; dá lugar ao Espírito Santo. Ao contrário, quando a pessoa que antes vivia na graça comete pecado mortal, diz a Deus: Sai de mim, Senhor; dá lugar ao demônio. Senhor, sai de minha alma e dá lugar ao demônio, para que tome posse dela.
AFETOS E ORAÇÕES
Eis a bela gratidão com que tantas vezes correspondi, meu Deus, ao amor que me tivestes! Viestes do céu procurar-me, ovelha perdida; eu fugi de vós e vos expulsei de mim. Agora, porém, abraço-me a vossos pés e não quero jamais abandonar-vos, meu amado Senhor. Socorrei-me com vossa graça. E vós, Maria, minha Rainha, não me abandoneis.

