O pecador aflige o Coração de Deus
SL 9,25
«O pecador irritou ao Senhor, não o buscará segundo a grandeza da sua indignação.»
SUMÁRIO
Os pecados humanos explicam a tristeza e a agonia do Redentor.
Ponto I
Assim fala dos pecadores o profeta real: «E tentaram, e irritaram de novo ao Deus excelso». Deus não é capaz de dor. Se o fosse, porém, cada pecado humano bastaria para afligi-lo e tirar-lhe a paz. Meu Deus, eis a recompensa que dei ao vosso amor! Quantas vezes antepus à vossa amizade uma miserável satisfação! Bondade infinita, perdoai-me, porque sois bondade infinita.
Ponto II
São Bernardo acrescenta que o pecado mortal tem tamanha malícia que, por si, mata Deus. Se Deus pudesse morrer, o pecado mortal lhe tiraria a vida. Como? O Padre Medina responde: destruiria Deus por ser causa de tristeza infinita. Que pena sentimos ao receber uma ofensa de alguém a quem beneficiamos e amamos de modo especial! Deus vê um homem ao qual concedeu tantos benefícios e por quem teve tanto amor que chegou a dar o sangue e a vida. Depois o vê voltar-lhe as costas, desprezando sua graça por nada: uma explosão de ira ou um breve prazer. Se pudesse experimentar pena e tristeza, morreria pela amargura que sentiria.
Meu querido Jesus, sou a ovelha perdida; sois meu bom Pastor, que destes a vida por vossas ovelhas. Tende piedade de mim. Perdoai cada amargura que vos causei. Meu Jesus, pesa-me ter-vos ofendido; amo-vos com toda a alma.
Ponto III
Eis por que a vida do nosso Redentor foi tão amarga e penosa: ele, Redentor amoroso, teve sempre diante dos olhos nossos pecados. Eis também por que, especialmente no Horto de Getsêmani, suou sangue e padeceu agonia de morte. Declarou que sua tristeza era tão grande que bastava para tirar-lhe a vida: «A minha alma está numa tristeza mortal». Que o fez agonizar assim e suar sangue, senão a visão de nossas culpas?
AFETOS E ORAÇÕES
Dai-me, pois, meu Jesus, parte daquela dor que então padecestes por meus pecados. Fazei que essa dor me conserve aflito durante toda a vida e até me mate, se assim vos aprouver. Meu Jesus, não quero causar-vos novos desgostos nem continuar a afligir-vos: desejo empregar todas as forças que tenho em vos amar, ó meu amor, minha vida e meu bem inteiro. Não permitais que volte a ofender-vos. Maria, minha esperança, tende compaixão de mim.

